lunes, 25 de abril de 2016

A época pós-constantiniana: o domínio da teologia


Durante os primeiros três séculos de nossa era, o Cristianismo era como um tesouro incomensurável que os Apóstolos tinham dado a homens de altíssimo valor: os primeiros cristãos. 
Segundo o historiador americano David Bercot, o Cristianismo estava protegido por quatro poderosos muros.
Em primeiro lugar, havia a forte convicção de que a última revelação tinha sido escrita nos livros do Novo Testamento, cujo cânone já estava em uso ao redor do fim do século II (Fragmento Muratoriano). Havia, portanto, uma ideia ultraconservadora que equiparava qualquer possível acréscimo aos textos sagrados e a qualquer mudança como um erro grave.
O segundo muro era a separação da Igreja do mundo. Nenhum cristão estava impregnado de poder y nenhum cristão vivia de modo mundano.
O terceiro muro era a prática de enviar as perguntas sobre possíveis disputas aos membros do conselho das Igrejas, onde os Apóstolos tinham ensinado.
O quarto muro era a independência das várias Igrejas, uma da outra (Jerusalém, Antioquia, Alexandria do Egito, Constantinopla, Éfeso, Corinto, Roma). Esse fato tornava praticamente impossível que um ensinamento errado se estendesse rapidamente entre os crentes.
Durante o segundo e o terceiro século, as perseguições aos cristãos continuaram. No entanto, no final do século terceiro, alguns cristãos começaram a adotar um estilo de vida mais mundano e começaram a ver seus guias espirituais mais como sacerdotes cerimoniais que predicadores, mestres da vida e da integridade. Além disso, o bispo de Roma passou a impor sua autoridade sobre as outras Igrejas (1).
Durante esta situação, o poder imperial não estava em mãos de um só homem. Em 306 d.C., Severo governava Itália e a costa africana correspondente às atuais Tunes e Argélia, Constantino governava Gália e outros dois homens governavam a parte oriental do império. Depois que Severo foi derrotado por Magêncio, Constantino se declarou legítimo imperador do império romano de Ocidente.
Em 312 d.C., Constantino e seu exército marcharam até Roma. Antes do combate com Magêncio, sucedeu algo estranho, que indiretamente influenciou todo o mundo ocidental. O historiador Eusébio (265-340 d.C.) narra este fato em “ A Vida de Constantino” (2):

Disse que à meia-noite… viu com seus olhos o sinal de uma cruz de luz nos céus, sobreposta ao sol, com as palavras: com este sina serás vencedor. (in hoc signo vinces)

Além disso, Constantino disse que Jesus Cristo tinha lhe aparecido em sonhos e tinha dito que desenhasse o sinal da cruz nos escudos utilizados pelos soldados.
O resultado da batalha foi favorável para Constantino, quem atribuiu a vitória ao “Deus dos cristãos”. Constantino se converteu, assim, num único imperador do Ocidente.
Depois sucedeu algo muito importante para a história do mundo ocidental. Como sabemos, a religião romana era cívica, no sentido que se atribuía o êxito e a prosperidade aos deuses que haviam sido adorados. Constantino acreditava realmente que o “Deus cristão” tinha lhe propiciado a vitória e que esse mesmo Deus podia proteger o império, sempre e quando os imperadores lhe rendessem culto. Desse modo, Constantino decidiu manter lícita a religião cristã. Com o edito de Milão (313 d.C.), o imperador Constantino e Licínio (Augusto do Oriente) decretaram a liberdade de culto para qualquer religião em todo império.

Então nós, Constantino Augusto e Licínio Augusto, havendo encontrando-nos proficuamente em Milão e havendo discutido todos os argumentos relativos à pública utilidade e segurança, entre as disposições que víamos úteis a muitas pessoas ou entre as considerávamos prioritárias, havíamos posto as relativas ao culto da divindade com o fim de que lhes seja consentido aos Cristãos e a todos os outros a liberdade de seguir a religião que cada um professe, de maneira que a Divindade que está no céu, qualquer que seja, a nós e a todos nossos súditos nos dê paz e prosperidade.

Com esse edito, Constantino não exigia a ninguém que se convertesse ao Cristianismo, mas o fato mesmo que ele se professasse cristão (inclusive se não tinha assimilado seu sentido profundo) deu à religião cristã certo prestígio. Logo, Constantino decidiu que cada propriedade confiscada dos cristãos durante as perseguições de Diocleciano devia ser devolvida. Além disso, cada casa de oração que tinha sido queimada devia ser reconstruída à custa do Estado.
Logo se deu conta de que a maioria dos bispos cristãos estava vivendo na pobreza. Ofereceu-lhes, então, um salário e proteção. Consentiu que as Igrejas pudessem receber bens de herança. Concedeu à instituição uma sorte de tribunais eclesiásticos (episcopalis audientia) aos quais os cristãos podiam aceder para dirimir suas controvérsias. Além disso, eximiu de pagamento de impostos a todos os bispos e suas propriedades.
Incrivelmente, assim foi como os cristãos passaram em poucos anos de uma minoria perseguida a serem os favoritos da corte. De maneira que pouco a pouco o espírito ultraconservador dos primeiros cristãos se encontrava em estado de perigo.
Durante o período dos primeiros cristãos, por exemplo, ninguém tinha pensado em pagar salários aos bispos, mas quando Constantino o fez, eles aceitaram. Ninguém tinha pensado que fosse justo estar isentos de impostos, mas quando Constantino os eximiu, eles aceitaram. Ninguém tinha pensado que fosse justo viver num palácio suntuoso, mas quando Fausta, a segunda esposa de Constantino, concedeu a Domus Faustae (na área do Palácio de Letrão) a Milcíades, bispo de Roma, ele aceitou sem reservas.
O que obteve o imperador em troca de todos esses favores e privilégios?
Já em 314 d.C., quando houve uma polêmica entre donatistas e católicos, foi Constantino quem a dirimiu, dando aos católicos a prioridade e o reconhecimento de ser a legítima corrente da Cristandade. A intervenção de Constantino para dirimir a polêmica com os donatistas criou um precedente a partir do qual o imperador obteve o direito de convocar concílios e decidir sobre as controvérsias religiosas. Além disso, Constantino já não era considerado uma “divindade” como os imperadores anteriores, mas como o bispo de Roma, então, obtinha o “direito divino”, ou seja, o “direito a reinar consagrado por Deus”. Constantino, no entanto, tinha mais poder temporal, no sentido de que era considerado como se fosse uma espécie de bispo por cima das partes, ou bispo universal.
Justamente por ter decretado que as Igrejas cristãs fossem reconstruídas com recursos do Estado, Constantino obteve voz e voto no âmbito da religião cristã. Os edifícios religiosos não deviam somente ser maiores, deviam ser suntuosos. Seguindo este racionamento material, construiu as Igrejas com colunas ciclópicas e decorou com mármores elegantes e caros. Acreditava realmente que se ele abençoava a Igreja, Deus abençoaria o império. Havia simplesmente continuado com os esquemas da religião romana, ganhando ao “Deus dos cristãos”, mas não parece que Constantino era um cristão “nascido de novo”.
Como foi possível que os cristãos do século IV se afastassem da crença original de Jesus Cristo? Eles pensaram que Deus estava inaugurando uma espécie de nova era do ouro, durante a qual as perseguições tinham acabado e que, finalmente, podia-se viver nos braços do poder e da mundanidade. No entanto, no Novo Testamento, não havia nenhuma passagem que justificasse esta suposta era do ouro. Portanto, encontraram algumas passagens do Antigo Testamento que justificavam esta situação renovada. Em vez de avançar até o homem renascido, típico do Novo Testamento, retrocederam a alguns conceitos típicos do Antigo Testamento. Daí que se faça referência ao conceito de “híbrido constantiniano”. Neste híbrido, inventado por Constantino, tentaram adaptar alguns preceitos do Novo Testamento à moral e ao estilo de vida do Antigo Testamento. Metade do híbrido era o Estado e a outra metade era a Igreja. Foi uma espécie de retorno ao modelo do velho estado de Israel. Só que agora era maior, já que incluía o império romano. Em muitos pontos, o híbrido constantiniano se parecia ao Antigo Testamento. Por exemplo, no conceito de riqueza. Como no Antigo Testamento não há particulares exortações a não acumular riquezas, tampouco no híbrido existiram e, portanto, houve um distanciamento dos preceitos evangélicos, onde a riqueza não podia ser central na vida de uma pessoa. Os juramentos eram lícitos no Antigo Testamento e, portanto, voltaram a ser no híbrido enquanto que, no Novo Testamento, não era lícito jurar, já que uma pessoa devia ter honra.
A violência era completamente rejeitada no Novo Testamento. Inclusive, tinha que amar aos próprios inimigos. Os cristãos do híbrido voltaram, ao contrário, a uma moral típica do Antigo Testamento: “olho por olho, dente por dente”.
Já no século quarto tornou-se lícito responder com força as provocações e a afirmar com violência as próprias ideias. Naturalmente, no híbrido houve também coisas positivas: Constantino promulgou leis para ajudar as famílias pobres, condenou a imoralidade sexual e a bruxaria. Proibiu os cruéis combates de gladiadores, declarou ilegal a prostituição, opôs-se ao concubinato. No entanto, o único modo para castigar os comportamentos contrários à moral era com a força bruta. Portanto, decidiu que os castigos para comportamentos contrários à tradição sexual deviam ser efeituados com métodos terríveis: praticar a tortura, queimar vivas as pessoas ou verter chumbo fundido na garganta dos condenados.
Com o tempo, Constantino se converteu num governante cruel. Depois de ter vencido a Licínio utilizando, inclusive, tropas de cristãos, concedeu mantê-la com vida, mas depois de poucos meses o assassinou. Logo, vendo inimigos por todas as partes, assassinou seu filho Crispo e sua esposa Fausta. Nenhum bispo pediu que se arrependesse por esses fatos.
Durante 280 anos, o Cristianismo antigo não havia mudado, justamente porque estava protegido pelos quatro muros descritos ao princípio deste artigo. Mas agora o muro externo, o espírito ultraconservador da Igreja primitiva, estava ameaçado. Foi assim como os cristãos começaram a pensar que a mudança não podia ser sinônima de erro, já que talvez podia trazer melhoras. É como se os cristãos tivessem dito a si mesmos que Deus tinha mudado as regras. Vejamos, a tal propósito, um escrito de Eusébio (3):

“A todos os que consideravam estes fatos, devia-lhes parecer que uma fresca e nova era havia começado a aparecer e que uma luz, primeiro desconhecida, começava a surgir da escuridão até a raça humana. E todos deviam confessar que estas coisas eram obra de Deus, que havia dado a este pio imperador para contra-arrestar a multidão de ímpios”.

A Igreja já não equiparava a mudança ao erro, já que começava a pensar que o Cristianismo podia mudar para melhorar. Começava-se a pensar que talvez o Cristianismo apostólico fosse somente o início de novas e mais sublimes revelações. Com esse propósito, se lembra que os cristãos do século IV aplicavam à Igreja a profecia de Ageu (2, 9) sobre a reconstrução do templo (4):

“A glória posterior desta casa será maior que a primeira”

Em outro muro que tinha defendido a Igreja durante os primeiros três séculos era a separação do mundo. Pela primeira vez na história, ser cristão dava prestígio social e muitos cristãos foram promovidos a cargos públicos.
No passado, ser cristão pressupunha uma fé real e uma mudança de vida radical. No século IV, ser cristão indicava que uma pessoa provava um credo particular e participava em vários ritos cristãos como o batismo e a eucaristia. Porém, já não significava que esta pessoa tivesse realmente mudado de vida.
A Igreja começou a adotar os métodos do mundo. Por exemplo, essa mudança foi vista também no modo como os cristãos se opunham ao poder. Durante os primeiros três séculos, os cristãos, quando eram perseguidos, fugiam e, se eram capturados, não punham resistência.
Os cristãos do século IV, em troca, se eram vítimas de uma injustiça, de perseguição ou não tinham mais a mínima intenção de não colocar resistência e obviamente, nem sequer de temiam a tortura ou a morte.
Por exemplo, quando o filho de Constantino enviou um de seus generais a Constantinopla no intuito de substituir o bispo da Igreja, em vez de aceitar aquela decisão, a multidão composta de cristãos, pôs fogo na casa do general. Quando o general saiu para a rua, foi assassinado (5) (6).
No geral, a atitude dos cristãos e, especialmente, daqueles que tinham cargos de poder, tinha mudado. Em poucos anos, os perseguidos passaram a ser os perseguidores. Constantino pensava que teria sido melhor que não houvesse heresias, com o fim de determinar um modo a seguir.
Vejamos o pensamento de Constantino, transmitido por Eusébio de Cesareia (7):

Que sejam informados, através deste estatuto, os novacianos, os paulicianos, os montanistas e todos os que apoiem heresias através das próprias assembleias privadas… sabemos que suas ofensas são abomináveis e atrozes e que um só dia não bastaria para contá-las todas… como já não é possível tolerar seus erros terríveis, lhes advertimos que nenhum deles deverá reunir-se de agora em diante. Portanto ordenamos que seus lugares de reunião sejam clausurados. E está, portanto, proibido levar a cabo seus cultos e superstições e suas inúteis reuniões, não somente em público, mas também em lugares privados ou em qualquer outro lugar.

Tão somente uma década antes, ser cristão era um crime. Agora, o crime era ser herege. De fato, além do Cristianismo apostólico, tinham desenvolvido outras tendências que viam Jesus Cristo não como o Verbo encarnado, o Filho de Deus, mas somente como uma “ponte” para poder alcançar a Deus. Estas visões diferentes de Jesus Cristo, que não refletiam a crença original do século I, tinham sido confutadas a partir de Irineu no século II, mas nunca combatidas com a violência. Para Constantino, estas disputas sobre a verdadeira essência do Cristianismo eram uma ameaça para a estabilidade do império. Para governar fazia falta uma só fé, não importa que fosse um híbrido entre crenças cristãs originais, um parcial retorno ao Antigo Testamento (Agostinho de Hipona, no século sucessivo, avalizaria a guerra justa- ver nota (8)- e o sincretismo com religiões solares - culto ao Sol Invictus). Os cristãos heréticos, como no caso dos arianos, tinham que ser silenciados e combatidos em toda costa.
A controvérsia principal começou entre Alexandro, o bispo de Alexandria do Egito Ário, um presbítero de Alexandria. Ário, contradizendo as escrituras, sustentava que o Filho de Deus não podia ter a mesma natureza do Pai. Portanto, para Ário, o Filho de Deus não podia ser co-eterno com o Pai.
Constantino decidiu, portanto, que devia levar-se a cabo um concílio de bispos em Niceia (atual Turquia), com o fim de decidir de uma vez por todas qual era a crença cristã original e dar o status de doutrina.
O mesmo Constantino presidiu o Concílio, no qual participaram mais de 300 bispos do oriente e do ocidente. O mesmo Constantino propôs a redação de um “Credo” onde se indicava a crença cristã e a doutrina da consubstancialidade encerrada na palavra grega “homoousios”, termo que traduz “da mesma substância”. Esta decisão de declarar ao Pai e ao Filho da “mesma substância” concordava exatamente com as escrituras do Novo Testamento, ainda que o termo “homoousios”, se bem não aparece nas sagradas escrituras, foi incluído no “Credo Niceno”, ao qual foi dada uma importância máxima, quase comparável às escrituras. Com o Concílio de Niceia, portanto, se havia criado um precedente, no sentido que se havia “agregado” algo à crença original escrita no Novo Testamento. É como se tivesse aceitado que existe uma crença essencial, sem a qual não podemos salvar-nos, que não se expressa em modo específico na escritura. 
A maioria dos bispos sancionou a consubstancialidade do Pai com o Filho e a pré-existência do Filho (como se deduz do Evangelho de João). Os mais notáveis foram Alexandro de Alexandria, Eustácio de Antioquia, Atanásio, Marcelo de Ancira (Ankara). Cinco bispos, entre os quais Ário, que havia se negado assinar o Credo Niceno (9). 
O que importa é a atitude agressiva do imperador, que decretou:

Se encontrarmos algum tratado de Ário, que seja queimado, de maneira que não somente sua doutrina corrupta seja eliminada, mas que tampouco fique nenhuma recordação da mesma. Portanto, decreto que se alguém é surpreendido ocultando um livro de Ário e não o apresente às autoridades para queimá-lo, lhe dê a pena de morte. (10).

A esse ponto tinham chegado ao seguinte ponto: quem não aceitava o Credo Niceno e quem ocultava livros de Ário tinha que ser condenado à morte. Uma posição não precisamente evangélica.
Constantino, além disso, pensou que a Igreja devia ser organizada sob o modelo do império romano. Desse modo, segundo Constantino, seria mais forte e se evitariam cisões futuras. Portanto, a cada bispo se dava uma diocese (do grego: διοίκησις, unidade administrativa do império romano). 
Com o tempo, o poder dos bispos metropolitanos, ou seja, das cidades principais do império, cresceu notavelmente. Nenhum bispo novo podia ser nomeado sem a permissão do bispo metropolitano.
Resumindo, com o Concílio de Niceia pôs-se fim à independência das congregações individuais. De agora em diante, qualquer mudança ou acréscimo à doutrina, podia difundir-se rapidamente por todas as Igrejas. Na prática, havia sido estabelecida uma hierarquia piramidal, cujo topo estava a Igreja de Roma, enquanto antes, até 313 d.C., havia existido várias Igrejas, nenhuma, no entanto, sujeita às demais. De um só golpe caíram o terceiro e o quarto muros defensivos do Cristianismo antigo.
Imediatamente despois de Niceia houve um governo conservador. Era evidente que algo havia mudado, mas já a Igreja, em vez de revolucionar o mundo (Atos dos Apóstolos 17, 6) estava deixando-se absorver por ele. Os conservadores, que viam a mudança como um erro, tinham notado que no Credo Niceno haviam utilizado palavras que não estavam presentes nas escrituras, como “homoousios”. Um personagem importante deste período foi Atanásio, que foi bispo de Alexandria do Egito, de 328 a 373 d.C.
Foi justamente Anastásio que se opôs ao movimento conservador, o qual baseava sua crença mais sobre as escrituras que sobre o Credo. Aparentemente, Anastásio, defendendo o Credo, queria preservar a fé original dos primeiros cristãos apostólicos, mas logo o Credo se voltou tão importante como as escrituras, sendo, segundo Anastásio, inspirado por Deus.
Realmente, o propósito de Constantino, ou melhor, o de unificar a Igreja numa só crença e anular as disputas teológicas, falhou.
Foi justamente depois de Niceia quando se multiplicaram as divisões entre as diversas correntes cristãs. De fato, a controvérsia ariana não terminou em absoluto com o Concílio de Niceia. Um dos bispos arianos mais destacados, Eusébio de Nicomédia, que foi bispo de Constantinopla de 339 a 341 d.C., obteve um grande prestígio quando batizou  Constantino a ponto de morrer em 337 d.C. Seguiram vários concílios menores e disputas teológicas sobre a consubstancialidade do Pai e do Filho. Poucos anos depois, às disputas sobre a consubstancialidade do Pai com o Filho agregaram-se, também, as da natureza do Espírito Santo, cuja Divindade era negada pelo bispo Macedônio de Constantinopla (342-360 d.C.).
No ano 381 d.C. houve outro Concílio de bispos; esta vez em Constantinopla. Foi o imperador Teodósio quem o convocou em 381 d.C. com o objetivo de reunificar as diferentes controvérsias doutrinais que ameaçavam a Igreja e, portanto, indiretamente, ao império.
A principal decisão do Concílio de Constantinopla foi a proclamação do Credo Niceno-constantinopolitano. Ao Credo Niceno agregaram-se algumas frases (em negrita), entre as quais a mais significativa foi:

Creio no Espírito Santo, Senhor e doador da vida, que procede ao Pai e o Filho

Com essa frase, reiterando a Divindade do Filho e do Espírito Santo, condenava-se aos arianos e aos seguidores de Macedônio.
Além disso, ao Credo Niceno agregou-se a frase:

Encarnou-se no seio da Virgem Maria

Com a introdução do nome de Maria, se puseram as bases para sucessivas disputas teológicas sobre a natureza da mãe de Jesus Cristo, que lentamente abriram o caminho a novos e ulteriores dogmas, decretados logo no Concílio de Éfeso em 431 d.C.
Era o domínio da teologia. Porém, a teologia, ainda que tendo sua importância, ao voltar-se central, desvia o crente de uma vida de fé, caridade e esperança. Na prática, muitos cristãos davam aprovação a um Credo, mas em essência já não estavam dispostos a mudar suas vidas por Jesus Cristo. Na prática, lentamente se dava mais importância à teologia cristã que a uma vida cristã. No transcurso do século IV, as discussões teológicas eram cotidianas, mas desde então, a Igreja não tem visto um só ano totalmente livre de questões teológicas. Tão somente um século depois do Concílio de Niceia, já não era suficiente conhecer a Bíblia para poder ajudar uma pessoa a aproximar-se à mensagem de Jesus Cristo. Era necessário estudar os escritos dos padres da Igreja e os decretos dos diversos concílios. Na prática, já não era importante ter um conhecimento profundo da Bíblia, entretanto, era necessário saber o que a Igreja tinha decretado. Com o tempo, passaram a considerar a Bíblia como um livro perigoso. De fato, em 1229, no sínodo de Tolosa proibiu-se a laicos possuir a Bíblia.
Nesse momento teria sido necessário um predicador como Pedro ou como Paulo de Tarso para devolver a frescura própria da mensagem apostólica e, em troca, chegou um grande filósofo que, no entanto, estava a serviço do híbrido constantiniano, ajustando-se perfeitamente àquele tipo de arquitetura social: Agostinho de Hipona.

YURI LEVERATTO
Copyright 2016

Bibliografia:
Che parlino I primi cristiani, David Bercot
Il Regno che sconvolse il mondo, David Bercot
Storia ecclesiastica, Eusebio

Foto: o emperador Costantino.

Note:
1-Cipriano – On the Lapsed and Commodianus Instruction on Christian discipline: “E a questo punto sono indignato per la evidente follia di Stefano che si vanta del suo vescovato e afferma che ha la successione di Pietro, sui quali furono poste le fondamenta della Chiesa.
2-Eusebio, la vita di Costantino, 1, cap. 28
3-Eusebio, la vita di Costantino, 3, cap. 1
4-Eusebio, Storia ecclesiastica 10, 4, 36
5-Socrate scolastico, Storia della Chiesa, tomo 2, cap. 13
6-http://www.newadvent.org/fathers/26012.htm
7-Eusebio, Costantino, tomo 3, capitoli 64-65
8-Ecco una citazione di Agostino d’Ippona tratta dal suo scritto "Contro Fausto Manicheo" Libro 22, 74: "Cosa infatti si biasima nella guerra? Forse il fatto che muoiano quelli che sono destinati a morire, perché i destinati a vivere siano sottomessi nella pace? Obiettare questo è proprio dei paurosi, non dei religiosi. Il desiderio di nuocere, la crudeltà della vendetta, l'animo non placato e implacabile, la ferocia della ribellione, la brama di dominare e simili: è questo che a ragione si biasima nelle guerre. È soprattutto per punire a buon diritto simili cose che le guerre vengono intraprese dai buoni, per ordine di Dio o di qualche altro potere legittimo, contro la violenza di chi si oppone, quando essi vengono a trovarsi in una congiuntura delle umane vicende tale che la situazione stessa li costringe giustamente o a ordinare qualcosa di simile o ad eseguirlo". (http://www.augustinus.it/italiano/contro_fausto/index2.htm)
9-Socrate scolastico, Storia, tomo1, cap. 8
10-Socrate scolastico, Storia, cap. 9
11-Gibbon, il declino e la caduta dell’impero romano, 252

No hay comentarios:

Publicar un comentario