miércoles, 20 de enero de 2016

A morte na cruz de Jesus Cristo


O fundamento da fé cristã é que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, morreu na cruz com o fim de tirar o pecado do mundo e no terceiro dia ressuscitou dos mortos, vencendo o pecado e a morte. A ressurreição foi um evento sobrenatural que não se pode provar cientificamente. Porém, é verdade que existem muitos indícios que corroboram este fato e, além disso, nenhuma teoria conseguiu provar que a ressurreição não seja verdade. 
A morte na cruz de Jesus Cristo é, no entanto, um evento histórico comprovado. Hoje em dia, não existe nenhum historiador sério do Novo Testamento que nega a morte na cruz de Jesus Cristo. Entretanto, de todas as maneiras, os islâmicos consideram que esse fato não aconteceu. Neste artigo, vamos provar que a crucificação e a morte na cruz de Jesus Cristo são fatos históricos e que, por isso, qualquer outra teoria que nega a morte na cruz de Jesus Cristo é contra a História e contra a lógica.
Primeiro que tudo existem as fontes cristãs e não cristãs sobre a morte na cruz de Jesus Cristo. As fontes cristãs estão formadas pelos livros do Novo Testamento, todos escritos no primeiro século (os mais antigos) e todos escritos por pessoas que viveram com Jesus, divulgaram o Evangelho e, além disso, decidiram colocar o nome de Cristo antes de suas próprias vidas: decidiram morrer como mártires para não negarem o nome do Messias. Refiro-me a Marcos, Mateus, Paulo de Tarso, Pedro, Judas Tadeu e Santiago.  
Em seguida, temos as fontes documentais não cristãs. Primeiro que tudo está a fonte documental de Cornélio Tácito, que escreve assim em seus anais (XV, 44):

“E assim Nero, para divertir esta voz e descarregar-se, deu por culpados dele e começou a castigar com estranhos gêneros de tormentos uns homens aborrecidos do vulgo por seus excessos, chamados comumente cristãos. O autor deste nome foi Cristo, o qual, imperando Tibério, tinha sido julgado por ordem de Pôncio Pilatos”.

Tácito, descreve os cristãos e confirma o que está escrito nos Evangelhos: Jesus Cristo viveu sob o império de Tibério (14-37 d.C.) e foi crucificado por Pôncio Pilatos. 
Depois, temos o livro “Antiguidades Judaicas” onde na passagem chamada Testimonium Flavianum, Flávio Josefo descreve a crucificação de Jesus e, além disso, sua ressurreição: 

“Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, se é que é correto chamá-lo homem, já que praticou milagres impactantes, um mestre para os homens que recebem a verdade com gozo, e atraía até Ele muitos judeus e muitos gentis. Era o Cristo. E quando Pilatos, frente à denúncia daqueles que são os principais entre nós, havia condenando-o à cruz, aqueles que o tinham amado primeiro não lhe abandonaram, já que apareceu vivo novamente no terceiro dia, havendo profetizado isso e outras tantas maravilhas sobre Ele os santos profetas. A tribo dos cristãos, chamados assim por Ele, não tem cessado de crescer até este dia”. 

Olhemos agora outra fonte histórica sobre a crucificação de Jesus, o Talmude da Babilônia, uma coleção de escritos rabínicos judeus compilada a partir de 70 d.C. À continuação, uma passagem:

“Durante a vigília da festa de Páscoa, Yeshua, o Nazareno, foi pendurado. Por quarenta dias posteriores a sua execução, um pregador foi anunciando: “Yeshua, o Nazareno, está a ponto de ser apedrejado porque tem praticado a magia, tem seduzido e tem desencaminhado Israel”.

Essa passagem não só é uma prova da existência mesma de Jesus, senão que explica, indiretamente, desde o ponto de vista dos judeus que não acreditavam nele, o motivo da sua crucificação. De fato, sustenta-se que praticou a “magia” e que “desencaminhou Israel”. De um lado, confirmam-se os milagres considerados como a “magia” de quem não acreditava; de outro, confirmam-se os Evangelhos, que descrevem por que Jesus foi enviado ao cadafalso, já que desde o ponto de vista dos judeus que não acreditavam, ele era um renegado, ou melhor, uma pessoa blasfema que não acreditava nas sagradas escrituras, já que se substitui no lugar delas.
Há outras fontes históricas sobre a crucificação de Jesus como, por exemplo, aquela de Luciano de Samostata (120-180 d.C.), em sua obra “Sobre a morte do Peregrino” (XI-XIII): 

“Como sabeis, os cristãos adoram um homem deste tempo, que criou seus inovadores ritos e que foi por isso crucificado…seu fundador deixou impresso neles a convicção de que todos são irmãos desde o momento em que se convertem e rejeitam os deuses da Grécia, para adorar, em lugar disso, o sábio crucificado e viver segundo seus preceitos.”

Luciano de Samostata, ainda que não fosse cristão e, além disso, sendo um crítico da fé cristã, confirma que (Cristo) foi crucificado.
Analisemos agora, desde um ponto de vista lógico, a posição islâmica, ou seja, que Jesus Cristo não morreu na cruz porque “foi substituído por outro”.
Se analisarmos todas as fontes cristãs, vemos que Cristo apresentou-se aos apóstolos e aos outros seguidores no terceiro dia depois da sua morte, afirmando sua Ressurreição exatamente como tinha anunciado. Porém, se Jesus Cristo não tivesse sido morto na cruz e depois tivesse se apresentado aos apóstolos mostrando que tinha ressuscitado, nesse caso teria sido um impostor, porque teria mentido. Nenhum dos apóstolos tinha pensado numa substituição de pessoas, óbvio, porque o apóstolo João, Maria, a mãe de Jesus e outras mulheres estavam presentes na crucificação e tinham a certeza absoluta de sua morte. 
Poderia ser que o homem crucificado não fosse Jesus? Impossível, porque Jesus Cristo foi facilmente individualizado em seu rosto e em seu físico quando foi preso. Depois, foi apresentado ao Sinédrio, portanto, conheciam muito bem seu rosto. Além disso, a lógica diz que se verdadeiramente outra pessoa tivesse sido enviada à cruz e não Jesus, por que essa pessoa, sabendo que estava sendo colocada no lugar de Jesus, não teria declarado? Ninguém vai em direção à morte feliz, sabendo que está no lugar de outro. 
Nesse ponto estamos seguros que o homem na cruz era Jesus Cristo. 
Analisemos agora a possibilidade que a crucificação não foi suficiente para matar Jesus Cristo. É praticamente impossível. A crucificação era a condenação mais cruel e segura utilizada durante o império romano. Além disso, muitas vezes e seguramente no caso de Jesus Cristo, a crucificação seguia severas flagelações que causavam fortes perdas de sangue. 
Vários médicos (1) já declararam que a morte de Jesus Cristo foi provocada por asfixia causada pela posição forçada que impede o tórax de respirar. Esses médicos confirmaram que, depois de sua morte e depois de estar morto por pelo menos cinco minutos, não teria sido possível “reanimá-lo”. Além disso, no Evangelho de João (19, 34), se descreve que um centurião perfurou a caixa torácica (e, portanto, o pulmão) de Jesus com uma lança. 
Jesus já estava morto e por isso não reagiu. Portanto, temos várias razões para afirmar que Jesus estava realmente morto quando seu corpo foi retirado da cruz.
A última hipótese que se pode contestar com a História e a lógica é a morte aparente. 
Se Jesus estivesse morto “aparentemente” e se tivesse despertado no terceiro dia, não teria podido remover a pedra sepulcral. Além disso, ainda admitindo que a pedra fosse removida por outros, como poderia o “Jesus que não morreu na cruz”, convencer seus seguidores de ter ressuscitado? Impossível, porque a ressurreição descrita pelos apóstolos (que depois preferiram ir à morte que negar Jesus Cristo) é uma ressurreição gloriosa, daquele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem feridas (exceto as marcas dos pregos e da lança). Não era um Jesus “abatido e debilitado” aquele que se apresentou aos seus seguidores, mas um Jesus Cristo invencível, todo poderoso, aquele que tinha vencido o pecado e a morte: era o Verbo encarnado. Portanto, uma coisa seria uma improvável sobrevivência da morte aparente, outra coisa é a ressurreição!
Hoje em dia, a totalidade dos historiadores do Novo Testamento (com exceção de alguns historiadores islâmicos) não têm dúvidas que Jesus Cristo morreu na cruz (2) (3) (4).
Assim que está demostrado de maneira histórica que Jesus Cristo morreu realmente na cruz. As falsas teses que divulgam o contrário poderiam ser o resultado da divulgação de alguns evangelhos gnósticos que existiam no segundo e terceiro século da era cristã. Porém, nenhum daqueles gnósticos estava disposto a morrer para afirmar aquelas teses. Os apóstolos do primeiro século, no entanto, que tinham vivido com Jesus Cristo e o tinham conhecido em pessoa, testemunhavam sua morte e sua ressurreição com o martírio. 

YURI LEVERATTO
Copyright 2015

Foto: Diego Velazquez, Cristo Crucificado.
Bibliografia: LICONA, Michael. Podemos estar certos que Jesus morreu na cruz? Uma olhada na prática da crucificação.
Notas:
1-The Death of the Messiah, Volume 2 (New York: Doubleday, 1994), 1088ff.
2-John Dominic Crossan, Jesus: A Revolutionary Biography (San Francisco: HarperCollings, 1991), 145.
3-Gerd Lüdemann. The Resurrection of Christ (Amherst, NY: Prometheus, 2004), 50.
4-Michael Licona www.4truth.net