sábado, 6 de diciembre de 2014

Os petroglifos de Cumpanamá, herança de arcaicas culturas amázonicas


A expedição aos petróglifos de Cumpanamá teve lugar em Yurimaguas, um grande povo na Amazonia peruana, na beira do Rio Huallaga, um afluente do Rio Maranhão.
Em Yurimaguas a temperatura supera os 35 grãos e o sol queima a pele.
O dia depois da chegada fomos no mercado barrial, onde além de tomar uma deliciosa sopa de pescado do rio, compramos algumas pilhas, considerando que na zona onde nos nos dirigíamos no havia luz elétrica.
Logo fomos ao porto, ubicado na desembocadura no Rio Huallaga.
A ideia inicial era subir o Rio Paranapura para chegar ao povo de Balsapuerto numa canoa (motor 16CV), mas não encontramos nenhum barqueiro que estivesse a ponto de sair, teríamos que ter esperado mais de um dia para embarcarmos numa canoa publica.
Decidimos seguir por terra, inicialmente de moto, até o povo de Nuevo Arica, e logo a pe ate Balsapuerto.
Na manhã seguinte chegamos a Nuevo Arica, depois de uma viagem incomoda de moto de aproximadamente duas horas.
Desse ponto avançamos através da selva ao largo de um caminho estreito apenas aberto.
Meu acompanhante era Ernesto Sanchez, um guia esperto da zona.
Foi um percurso difícil, não somente pela exuberante vegetação que obstruía o sendero, mas tambem porque depois de umas duas horas comessou a chover, e o sendero transformou-se num viscoso "mar de barro".
Dormimos numa cabana abandonada dos indígenas Shawi.
Na manhã seguinte depois de duas horas caminhando, chegamos finalmente a Balsapuerto, aldeia Shwi, ubicada nas beiras do Rio Cachiyacu, um afluente do Rio Paranapura.
Na manhã seguinte, muito cedo com a ajuda de um guia local, iniciamos a exploração da parte alta do Rio Cachiyacu com a finalidade de chegar aos petróglifos de Cumpanamá.
Depois de aproximadamente três horas de caminho, chegamos perto da enorme pedra de Cumpanamá, ubicada na selva, perto da quebrada Achayacu.
Logo que observei a parede central de 9 metros de longitude e coberta de petróglifos, percebi de esta na presença de um importante sítio arqueológico poco conhecido e pouco estudado.
A forma da pedra lembra a um enorme cilindro irregular. Sua circunferência é de 48 metros e sua altura de aprox. 6 metros.
Por cima de toda sua circunferência estão esculpidos vários petróglifos, de valiosos indícios da visão do mundo dos antigos escultores e entalhadores.
Na parede principal de aprox. 9 metros de comprimento e 2 metros de altura, tem vários petróglifos importantes: antes de tudo o petróglifo do cacique. Observa-se uma máscara-coroa de plumagens que provavelmente adornava o chefe da tribu, notando-se 12 plumas e por baixo delas, doze cavidades.
A sua esquerda aprecia-se um petróglifo do simbolo yin-yang que alguns interpretam tambem como uma concha.
Por baixo do petróglifo do cacique encontramos um símbolo particular: um círculo com linha horizontal no centro. Continuando a direita na parede central encontramos um espiral e um enigmático petróglifo que lembra uma "raquete", dividida por duas linhas horizontais e linhas verticais, formando assim 12 espaços continuos.
A "raquete" é comum em Cumpanamá: tem de fato outras três.
Por cima dela encontramos cinco círculos com alternância um ponto e uma linha horizontal no seu interior.
A direita da "raquete "encontramos , dois espirais. Por cima da "raquete" encontramos um estranho símbolo em forma de L ao contrário, enquanto que a direita de este último tem uma espécie de circunferência com dois alto-relevos no centro. Indo mais a direita vemos um rosto, parecido aos de Pusharo, que possivelmente possa simbolizar uma marca do território. Saindo novamente a estrema-direita da parede principal, encontramos um conjunto fechado com quatro círculos pequenos no seu interior. Por cima de este conjunto de petróglifos nota-se um "quadrado, a sua vez dividido em quatro quadrados"
Caminhando ao redor da pedra no sentido da agulha do relógio, observamos o petróglifo de uma serpente (símbolo do inframundo) , de um jaguar (símbolo do mundo real, da força e da determinação), outra "raquete" e alguns espirais, alem de vários círculos concêntricos.
Na parte superior da pedra nota-se tambem um quadrado com outro quadrado no seu interior.

Ubicação da Pedra de Cumpanamá:
Lat. Sud 5º 52´ 409 ´´, Long Oeste 76º 31´315´´

O conjunto foi fotografado pela primeira vez em 1997 pelo geologo José Sanchez Izquerdo.
Como os petróglifos de Pusharo, a sua origem de estes são amazónicos, provavelmente do período formativo (2000 a.C.), e os autores dos gravados foram possivelmente povos amazónicos ante-passados dos indígenas Shawi que viajavam da selva aos Andes.

YURI LEVERATTO
Copyright 2014

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