jueves, 20 de marzo de 2014

O incerto futuro de Cerro de Pasco, a cidade mais alta do planeta


A minha viagem a Cerro Pasco começou em Chosica, base das minhas expedições a Marcahuasi e a Chuya.
O percurso até o altiplano central é tortuoso e a subida é muito ingreme. Depois de aproximadamente 4 horas de viagem chegou-se ao passo chamado Ticlio, situado a uns 4818 msnm. Logo se desce até a Oroya, cidade mineral famosa por ser a terminal de uma das vias ferreas mas altas do mundo. De La Oroya, o caminho até Cerro de Pasco se abre ao largo do estreito vale do Rio Mantaro (afluente de Apurímac), e logo ao largo do altiplano central, a uma altura ao redor de 4400 msnm.
Depois de mais o menos duas horas chega-se ao Cerro de Pasco, cidade que, ubicada a 4372 msnm, é a mais alta do mundo.
Apesar da Rinconada, povoado de 27.000 habitantes localizado na Cordilheira de Puno, debaixo do imponente Nevado Ananea, a 5200 msnm, é sem duvida o povoado mais alto do mundo, não pode-se considerar uma cidade somente porque sua população não chega a 50.000 habitantes, más porque carece de serviços básicos, tais como rede de esgoto e sistema de abastecimento hídricos modernos. Contrariamente, Cerro de Pasco porque tem uma população total de aprox. 75.000 habitantes más porque tem tambem as características de uma verdadeira cidade, como por exemplo uma rede de esgoto e um sistema de distribuição de agua, satisfatórios colégios, hospitais e centros de recriação.
Pertence ao restrito "clube" das três cidades localizadas por cima de 4000 msnm, que encontra-se também El Alto (Bolivia, 4100 msnm) e Potosí (Boliva, 4067msnm). 
Ao chegar a estação dos ónibus tive a sensação de estar numa espécie de círculo dantesco: centos de vendedores se concentravam na saída do terminal, oferecendo os típicos choclo (maçaroca) com queixo e batata recheada. Velhos andarilhos agachados ao piso exibindo batatas, pisada de fruta outras especiarias locais e animais vivos como galinhas, patos e cuyes (um roedor comestível muito apreciado no Perú). Tinha ainda vendedores de queixo, frutas, verduras e coca (proveniente da selva de Huánuco), carne e ovos. Vários cachorros de rua, me rodeavam entorno procurando comida, enquanto que as crianças nas ruelas abandonadas a sua sorte e ao ambiente estava contaminado da densa fumaça que emitiam os silenciadores deteriorados dos velhos carros.
Depois de me hospedar num pequeno hotel do centro e de bever um benéfico mate de coca que serve para equilibrar os problemas cardíacos produzidos pela altura, decidi dar uma volta pela cidade (situada a quase 4400 metros de altura e construida ao redor de um buraco gigantesco, a mina ao céu aberto mais alta do mundo) com a finalidade de conhecer uma das realidades mais extranha do planeta. Depois de poucos minutos de caminhada cheguei aos bordes da mina um colossal buraco na terra de uns 700 metros de profundidade, cujo diâmetro supera o kilómetro .
Desde o alto pode-se observar os gigantescos caminhões que transportam lentamente o mineral para cima onde está a fábrica da empresa Volcan. Quis caminhar ao redor de todo o denominado "corte aberto", o bem dizer: a mina ao céu aberto mais alta do mundo, com o propósito de perceber a dimensão desta descomunal ferida na terra, de onde se extraem cantidades enormes de chumbo, cobre, zinco, más antes a mina era famosa pela extração de prata no segundo lugar em respeito a de Potosí.
Foi uma caminhada de aproximadamente duas horas pela qual permitiu-me conhecer outros bairros da cidade, onde existem guetos degradados em sua maioria pelos mineiros dependentes de Volcán.
A cidade de Cerro do Pasco foi fundada em 1578, justamente no lugar onde já os antigos Incas tinham extraído prata desde tempos remotos. Toda a zona do Cerro do Pasco foi outorgada em "encomienda" ao conquistador Juan Tello de Sotomayor, modelo de uma sociedade que durante decenios explorou a os humildes trabalhadores indígenas, enriquecendo-se sem medida.
Em 1639, a cidade de Cerro do Pasco, assumiu o título de "Cidade real de Minas" e com o descobrimento, em 1760, do túnel de Yanacancha, a produção mineira aumentou significativamente, superando aquela de Potosí.
A partir do começo do século XX as empresas Estado Uniden-se chegaram a Perú e obtiveram importantes concepções na mina do Cerro de Pasco. Em 1902, por exemplo a empresa "Cerro de Pasco Investment Company”, tinha o monopólio de exploração da mina cedendo com o tempo dada a concepção a outras companhias. 
Na primeira metade do século XX aumentou consideravelmente a produção do ouro da qual se obtinham do cobre.
Durante a segunda metade do mesmo século outras empresas exploraram a mina até 1999, quando toda a propriedade da área passou para a empresa Volcan, sociedade de capital peruano.
Na atualidade, Cerro de Pasco é uma das cidades mais contaminadas do mundo, principalmente porque a extração do chumbo facilita a emissão de grandes cantidades de fino pó na atmosfera pelas quais logo são respirados pelos habitantes da cidade .
Por uma grande desgraça em muitas crianças de Cerro do Pasco foi diagnosticado uma alta percentual de chumbo no sangue, e lamentavelmente aumenta a possibilidade de contrair neoplasias durante sua vida.
Os sintomas iniciais da presença do chumbo no sangue são: dores abdominais, consideráveis complicações neurológicas (baixo rendimento no colégio cansaso) e envelhecimento precoce nos anciões (perda de memória o Alzheimer).
Também os rios que se originaram no altiplano estão contaminados irremediávelmente; encontra-se efetivamente cantidades significativas de chumbo nos rios Huachón, Paucartambo, Tingo, Huallanga, e San Juan.
Hoje em dia mantem-se uma forte polêmica entre os administradores da empresa Volcan, que presentaram o projeto de continuar escavando por debaixo da cidade, e a maioria dos habitantes que vem em perigo suas casas, suas atividades e resumindo suas vidas. Detalhando, os dirigentes da empresa sustentam que por baixo da cidade se encontra a veia mais importante de zinco, cobre e chumbo e que para continuar a extraindo mineral de maneira rentável para a empresa, seria necessário transferir completamente o centro de Cerro do Pasco a um lugar chamado Vila de Pasco, a uns sete kilómetros da mina.
Os habitantes que cedessem suas propriedades a empresa obteriam a cambio uma justa compensação.
A maioria dos habitantes da cidade não sabem o que decidir: por um lado aceitar a petição de Volcan significaria perder para sempre suas propriedades e também suas próprias tradições, vinculadas ao lugar de nascimento, em verdade que Volcan declarou que se não puder continuar escavando por baixo da cidade se verá obrigada a fechar e assim se perderão miles de empregos.
A cidade morreria lentamente, já que depende em tudo e por tudo da mina: no caso contrario, desapareceria rapidamente e se transformaria em mina.
Em todo caso as autoridades fazem notar que uma "transferencia" de esse tipo seria muito caro já que além dos habitantes, teria que ser transferido hospitais, colégios, centros esportivos, bibliotecas e edifícios municipais.
Por hora não tem solução o dilema do Cerro do Pasco: no momento se se destruisse a cidade para dar espaço a mina, perderia sua memória, seu passado e seu futuro. Más se do contrário a mina fecha por não ser mais rentável para seus acionistas, a cidade morrerá lentamente, apagando-se como uma débil chama ao vento.

YURI LEVERATTO
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