miércoles, 27 de agosto de 2014

Mitologia e chamanismo na civilização dos Toltecas


Logo depois da decadência da cidade de Teotihuacán, possivelmente tenha sido por invasões de povos hostis e a gravíssima crises alimentaria, que vários povos se disputaram o poder económico e cultural da Meso-Amêrica.
Os Toltecas e outros grupos de colonizações, chamadas Nonoalcos, que se estabeleceram numa zona situada a aprox. 65 kilómetros ao norte de Teotihuacán, onde fundou-se posteriormente a cidade de Tollan Xicocotitlán (Tula, a cidade perto do cerro Xicoco). A região já estava habitada por alguns grupos de Otomíes, que ainda hoje são um consistente grupo indígena mexicano. 
Os primeiros eruditos espanhois, entre os quais Bernardino de Sahagún tiveram conhecimento da antiga civilização dos Toltecas por meio dos Aztecas que os avisaram que esta era mítica, e que estava ubicada num vale paradisíaco, onde tinha abundância em colheita e onde as pessoas alimentavam-se de aves tropicais multi coloridas.
A continuação, uma passagem do livro: História de las cosas de la Nueva España, chamado código Florentino (1577) do Frei Bernardino de Sahagun:

"Dizem que seu Deus era Quetzalcóatl (serpente com plumas de Quetzal), que era riquíssimo que tinha todas as coisas que se pudessem desejar neste mundo, dizem que as maçarocas de milho eram enormes e abundantes e que se cultivavam grandes abóboras , batatas, e tomates. além do mais dizem que tinha abundância de algodão, com ele se elaboram espléndidos tecidos"

Os Toltecas adoravam ao Deus Quatzalcóatl, a serpente emplumada, símbolo do inframundo (morte e passado), e do céu (renascimento e vizinhança ao sol, luminosidade, futuro), que representa deste modo, a continuidade da vida na Terra e do Cosmos. Na opinião do Aztecas , por cima da teocracia estava o sumo sacerdote, quem continha em si todo o conhecimento humano e quem tinha poderes sobrenaturais.
O personagem histórico mais famoso da civilização Tolteca foi Ce Acatl Topiltzin, quem nasceu provavelmente em 947 d.C., num povoado chamado Michatlahco, no atual estado mexicano de Morelos .
Foi o rei mais importante dos Toltecas, a partir de 977 d.C.
Existem algumas lendas que confirmam que Topiltzin era "diferente", no sentido que vinha de muito longe. Muitas vezes falava-se que era um naufrago Vikingo. Depois de ter sido coroado rei, foi tentado pelo Deus da guerra Tezcatlipoca, motivo pela qual foi expulso da cidade. Depois dos últimos estúdios arqueológicos no sitio de Tula, ubicado no atual estado mexicano de Hidalgo, chegou-se a conclusão de que a sociedade Tolteca era dominada por uma aristocracia guerreira que efetuou uma expansão do tipo militar e cultural até Yucatán, ao redor do ano 1000 d.C.
Fazendo uma comparação com Sud América, a expansão cultural Tolteca parece semelhar-se aquela efetuada pelo povo Wari que influenciou, com sua cultura a muitíssimas etnías do Perú meridional e central pre-incaicas.
Até 1200 de nossa era, algumas bélicosas tribus de Mexicas (que sucessivamente deram origem a os Aztecas) e Chichimecas invadiram o território dos Toltécas, fazendo que esta civilização começara a declinar.
De fato, o estudo estratigráfico do sítio arqueológico de Tula confirma uma sequência cronológica que começa de 750 d.C. até 1200 d.C. 
Se pensamos que Tula tinha uma extenção de 11 kilómetros quadrados e uma população de aprox.30.000 pessoas . Na atualidade, em Tula pode-se admirar as enormes estátuas dos Atlantes, de 4,6 metros de altura. São representações de guerreiros Toltécas.
Parece que suas construções foram relacionadas ao culto do planeta Vênus e com a criação de um calendário sagrado de 260 dias (o tempo da revolução de Vênus ao redor do sol).
Enquanto ao economico, a zona onde surgiu a cidade de Tollan-Xicocotitlan (não confundir co o lugar mitológico chamado Tollan), era rica em obsidiana, pedras semi-preciosas como a turquesa, o alabastro e outros minerais com as quais elaboravam-se estatuetas, adoradas como totems.
No vale tinha, também abundância de cacau, batatas, tomates, abóboras e milho. Nesta vantajosa situação económica permitiu a aristocracia dominante expandir-se militarmente para o atual México e ter relações comerciais com os Maias e com outros povos de Centro América, como por exemplo Nicoya, na atual Costa Rica, de onde importavam preciosas cerâmicas .
Na arquitetura Tolteca encontra-se algumas similitudes com a cultura Maia como: a pirámide de Tlahuizealpantecuhti, em Tula tendo muita semelhança ao templo dos guerreiros de Chichén Itzá, em Yucatán.
As afinidades entre os dois povos percebe-se também na mitologia e no chamanismo esotérico.
Nas alturas de estas crenças religiosas Toltecas estava Tloque Nahuaque, o criador Supremo, ou Absoluto.
Nas suas culturas também existia uma Divindade criadora dos céus e da Terra, Ometecuhtli. Também adorava-se a vários Deuses pela qual oferecia-se sacrifícios para obter maior colheitas e para afastar as forças do mal.
O mais importante era, como já tinha mencionado, Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Não era somente o símbolo do inframundo e do céu, ao mesmo tempo (o diabo e o Omnipotente na simbología católica), más também a cultura a filosofia e a fertilidade. Na opinião da legenda, Quatzalcóatl era o rei da lendária Tollan em épocas arcaicas. Outro dos Deuses mitológicos Toltecas era o já mencionado Tezcatlipoca, o Deus da guerra (Marte na cultura dos Gregos). Logo tinha Tlaloc, Deus da chuva, Centeotl, Deus do milho, Itzacoliuhque (as vezes identificado como um simple especto de Quetzalcóatl, considerado como Deus da obscuridade e dos eventos violentos como terremotos , inundações e tempestades.
A partir das crônicas escritas pelos primeiros eruditos espanhóis que chegaram ao México no século XVI, se deduz que os Toltécas davam uma enorme importância a figura do chaman, homem capaz de comunicar-se com os espíritus com a finalidade de resolver as disputas, curar enfermidades e por último relacionar as pessoas com a Divinidade.
Temos que observar que a palavra "chaman" vem do sánscrito "shyamana", e não das lenguas americanas .
O Chamanismo que ainda hoje se pratica em muitíssimos grupos indígenas de Sud América, que é um tipo de religião esotérica reservada, pelo tanto a poucos.
Efetivamente somente o chamán tem acesso ao conhecimento e pode comunicar-se com os espíritus , possam ser-lhes benéficos ou maléficos . E mais, pratica sacrifícios para complacer aos Deuses, conserva as tradições orais do seu povo servindo de guia espiritual.
Sempre pensando nas tradições chamánicas Toltecas, das quais herdou logo o povo dos Mexica o Azteca, cada indivíduo ao nascer e acompanhado por um animal que o pretegerá e o guiará durante toda a vida.
Estes espíritus se chamavam nahuales. Alguns animais, como por exemplo o pato e algumas enormes plantas como as árvores dos bosques, eram considerados sagrados na cultura Tolteca.
O pato é capaz de caminhar, nadar, submergir-se, e voar. Por conseguinte, é um símbolo da perfeição no mundo animal.
A árvore do bosque representa os três mundos possíveis: o inframundo, com as raízes bem seguras na Terra, e a sua materialidade, o tronco, que simboliza a superficie terrestre ou o mundo do meio, habitado pelos humanos, e que vive entre a materialidade e a espiritualidade. Os chamanes Toltecas eram capazes de comunicar-se com os espíritus logo de alcançar um estado de trance (ou alteração da consciência), que produzia tanto com sistemas de auto hipnose, como atravês da música, o canto e a dança, más também ingerindo substâncias alucinógenas , como por exemplo o peyote (Lophophora williamsii).
Hoje, no Mêxico, existem algumas comunidades dos Neo-Toltecas que seguem a filosofia da vida de seus ancestrais e que acreditam que os antigos Meso-Americános eram portadores de uma única cultura chamada Toltecayot.
A filosofia dos Neo-Toltecas tem base na convicção de que é possível ter um estilo de vida que respeite a natureza e os seres viventes , de modo que se consiga chegar a um harmonia que se perdeu dos séculos passados.

YURI LEVERATTO
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