viernes, 26 de septiembre de 2014

Expediçao a cordilheira de Paucartambo: as ruinas de Miraflores


A região de Cusco (Perú), de aproximadamente 72.000 kilómetros quadrados de extenção, está ocupada na sua major parte (más de 50%), por um particular eco sistema chamado "Selva Alta", que ao seu tempo divide-se em Selva Alta e bosque Andino. Durante o Império dos Incas a selva cumpria um rol importante já que era fronteira com o mundo Andino e Amazónico.
Os povos anteriores aos Incas (Tiahuanaco, Wari, Pukara, Lupaca), construiram durante séculos varias estructuras chamadas Tambos em quechua (lugares de descanso), assim como cidadezinhas ou recintos fortificados que serviam para delimitar o Império, ou tambem como lugares de descanso o trocas de objetos que acostumava-se intercambiar com as etnias de Chunchos, Moxos, e Toromonas, os produtos da selva (coca, ouro, mel, plumas, de aves, hervas medicinais), com os produtos da serra: camelídeos, cereais andinos , maca, e varios tipos de patatas.
As fortalezas mais conhecidas são: Espiritu Pampa, Vitcos (as duas na região de Vilcabamba), Abiseo, a fortaleza de Hualla, Mamería (Perú), e a Fortaleza de Ixiamas (Bolivia).
Na opinião de vários esploradores, como o peruano Carlos Neuenschwander Landa, existe uma última fortificação ainda desconhecida, que foi utilizada pelos Incas, quando fugiram de Cusco no ano de 1.537: Trata-se do mito de Paititi, como o oasis onde refugiou-se ou semi-Deus Inkarri depois de ter fundado O`ero e Cusco. Carlos Neuenschwander concentrou todas suas investigações no chamado de "Altiplano de Pantiacolla", uma zona ríspida e fria andina situada entre 2.500 a 4.000 metros de altitude sobre o nível do mar, entre as regiões de Cusco e Madre de Dios.
O patamar de Pantiacolla (do quechua: lugar onde a princesa se perde), é por exelência entre os lugares menos acessiveis do mundo, por varios motivos.
Antes de tudo a distancia de qualquer povoado e a difícil descrição do terreno: profundissimas aberturas onde se abrem impetuosos riachos e empinadas ladeiras onde encontra-se alguns sendeiros, caminhos apertados impossivel de transitar, nem sequer com mulas da qual complica o acesso ao altiplano.
Existe também um clima com mudanças severas, fortes ventos chuva de granizos e as vezes neve e tempestades intercaladas por breves dias de sol.
A temperatura pode baixar a 10 grãos pela noite e de dia oscila entre 0 e 5 grãos .
O último e o mais importante motivo é que torna-se quase inacessível na "Meseta de Pantiacolla ", de que em lugares fáceis de chegar encontrado-se zonas mais baixas como, o Santuario Nacional Megatoni e a zona inatingivel do "Parque Nacional de Manu", onde moram indios isolados (não contactados), que em ocasiones podem vir a ser muito agressivos. Refiro-me a grupos de Kuga Pacoris, Masko Piros, Amahuacos, e Toyeris.
O vale dos rios Mapacho-Yavero, inicialmente chamava-se rio Paucartambo, serve de acesso a Cordilheira de Paucartambo, a última e verdadeira cadeia montanhosa andina (com alturas de mais de 4.000 metros), antes da selva baixa amazónica, a cuenca do Rio Madre de Dios.
O objetivo de nossa expedição a Cordilheira de Paucartambo foi o de estudar e documentar os sendeiros incaicos do vale de Rio Chunchosmayo (rio de los Chunchos), antigos e terriveis povos da selva que comandam ao Altiplano de Pantiacolla, e possivelmente a mítica Paititi de Incarri.
A expedição começou em Cusco a cidade que foi capital dos Incas. No total èramos 5 participantes: o estado-unidense Gregory Deyermenjian, os peruanos Ignacio Mamani Huillca e Luis Alberto Huillca Mamani, o espanhol Javier Zardoya e eu.
Os últimos dias antes de começar a expedição passamos no gran mercado de Cusco, comprando os alimentos necessarios para um total de 11 dias.
Muito importante para uma expedição andina, foi a compra de alguns quilos de folhas de coca e da chamada "lipta" uma especie de adoçante a base de estevia e cinza de "catalizador" para poder absorver as propriedades benéficas das folhas de coca. Outra escolha foi equipos preparados para o clima e não somente uns preparados para o clima tropical, más também para o frio intenso da Cordilheira já que tinhamos programado ir alem dos 3.000 m.s.n.m.
Saimos pelo amanhecer em direção do vale do Rio Yavero numa grande e poderosa camionete conduzida por um motorista experto.
Depois de aprox. 10 horas de ardua carreteira ao céu aberto, chegamos a um lugar chamado "Punta Carretera", no vale do rio Yavero ", é um vale muito estreito, pouco povoado, sem ruas, a não ser a rua de acesso e sem eletricidade. Os poucos camponeses que moram ali cultivam principalmente café. Na manhã seguinte com a ajuda doas mulas começamos a caminhar pela empinada ladeira baixando aprox. por 4 horas para o rio Yavero no ponto onde encontra-se a ponte suspendida "Bolognesi " ubicação ; 12º 38.739`lat.Sul/72º. 08.12º long.Oeste . Altura 1.222 msnm.
Debaixo daquela ponte cambaleante fllui o impetuoso Rio Yavero (afluente do Rio Urubamba), rodeado de uma vegetação exuberante. Daquele ponto começamos a caminhar subindo novamente na margem direita do vale até um lugar chamado Naranjayoc , habitado por algumas famílias de camponeses que seu idioma é o quechua. Um mundo completamente rural onde vive-se sem luz nem agua corrente e muito menos gás para cozinhar o esquenar-se. Tudo é exactamente igual a como era a um século. 
O terceiro dia utilizamos 3 mulas para continuar nossa viagem. No primeiro tempo subimos uma ladeira ingrime e logo na nossa chegada acima do monte, nos enfrentamos frente um remoto sitio arqueológico chamado Tambocasa.
Ubicação : 12º 37.174 lat.Sul/ 72º 07.206`long.Oeste. É um típico tambo (lugar de descanso) de forma rectangular 40x10 metros costruidos em época Inca. Encontra-se precisamente na divisa entre os vales do Rio Yavero e do seu afluente Chuchunsmayu, (rio do Chunchos), que foi utilizado mais que tudo como lugar de descanso e intercambio de productos agricolos.
Mais adiante caminhamos mais de 4 horas numa encosta justamente ao borde do sitio arquologico chamado Llactapata em quechua (cidade alta). 
Ubicação: 12º 37.025`lat.Sul/72º 05.750 `long . Oeste. Altura : 1935 mnsm.
Resolvemos acampar numa vasta planice na proximidade de ruinas para no dia seguinte explora-las.
Depois de ter cozido uma sopa a base de uncucha (batata doce típica deste vale), logo nos preparamos para dormir. O céu estava completamente livre de nuvens .e extranhamente notava-se uma grande estrela muito baixa na direção do Altiplano de Pantiacolla .
No quarto dia pudemos documentar o sitio de Llactapata, alem de restos de restros de muros pre-incaicas da qual o ánculo dos muros em vez de serem perpendiculares é redundado, pudimor registrar uma construção rectangular datada da época pre-incaica caracterizada por uma particular parede com oito cavidades usadas provavelmente com fins cerimoniais. A continuação empreendemos novamente nosso caminho na direção noroeste subindo no vale estreito do Rio Chunchusmayo. No começo andamos por aprox. cinco horas num senderio estreito ao borde do precipício, alguns trechos foram difíceis e tivemos que alongar os passos das mulas, evitando cuidadosamente que não caíssem no vazio. Posteriormente chegamos a um lugar onde podia-se ver o encontro do Rio Tunquimayo com o Rio Chunchusmayo.
Naquele ponto começou uma empinada descida até o Rio Chumchusmayo. Tivemos que atravessar uma zona de selva muito densa e húmeda até chegar ao seu curso final.
Logo o atravessamos empreendendo uma descida até encontrar o chamado Cerro Miraflores inicialmente uma densissima selva e logo depois através uma enorme ladeira diminuindo a vegetação facilitando um pouco mais. Depois de umas treis horas de caminhada ao logo do rio resolvemos acampar porque havia começado a chover forte .De repente percebemos que tinhamos parado perto de um antigo Tambo (lugar de descanso ) pre-incaico, mesmo estilo rectangular também formas arredondadas sempre origem pre-incaica:
Ubicaçao do Tambo de Miraflores : 12º 36.506 lat.Sul/ 72º 03.681 long.Oeste. Altura 2.540 msnm.
No quinto dia exploramos inicialmente a parte da selva que se situa a noroeste do nosso campo base. Encontramos alguns muros de contenção eles também de precedência pre-incaica, indicio de que toda a zona foi habitada e cultivada em épocas remotas. Logo nos adentramos numa espesissima selva afasando-nos da antiga zona agrícola. 
Logo após decidimos seguir o sendeiro que dirigia-se ao norte até a cima do Monte. Foi uma dura e ardua subida atravez um sendeiro barroso, más ao final alcançamos a cima, e logo continuamos até o norte atravez um altiplano coberto por um bosque não tão denso.
Nossa caminhada teve fim num ponto a altura de 3.185 msnm, de onde podia-se divisar ao longe o Altiplano de Pantiacolla e chamado de "Nudo de Toporaque" uma áspera formação de roca situada na divisa entre a Cuenca do Rio Urubamba e a do Rio Madre de Dios. Voltamos ao campo base depois de uma caminhada de aprox.três horas.
No sexto dia da nossa exploração foi determinante. 
Exploramos novamente a parte da selva, tão húmeda que era muito difícil avançar. Depois de horas de caminhada novamente encontramos uma casa em forma trapezoite, e logo a poucos metros de esta, bases de outra residência rectangular e vários muros de contenção que servião para clássicos bancais. 
Continuando a nossa exploração avistamos o centro de uma cidadezinha oculta na selva, uma esplanada de aprox. 12x12 metros , que no lado oriental havia um muro de aprox. 6 metros de comprimento com 4 cavidades ubicadas a uma altura de 80cm. do solo (foto principal).
Tinhamos a certeza de termos chegado a uma importante e desconhecida cidadela agrícola pre-incaica, más ignoramos quem a teria construido, quando alguns pastores da zona nos haviam mencionado o nome " Miraflores" para indicar a montanha enteira. 
Ubicação da cidadela pre-inca de Miraflores :
Ubicação : 12º 36.507`Sul/Log.72º 03.715 Oeste. Altura : 2.523 metros sobre o nível do mar.
Observando minuciosamente o muro principal. percebi que poderia ter caido parcialmente e que no passado poderia ser ao menos o dobro da longitude. Quem sabe que as cavidades poderiam ter cido usadas por motivos rituais, anteriormente poderia ser de 8 metros justamente como em Llactapata. Más quem poderia ter construido a cidadela? poderiam ter cido os Chunchos antepassandos dos Matsiguenkas de onde vem o nome de Chunchosmayo?
Mas não parece, porque aqueles povos da selva cerca de Cusco não usavam nunca os nombrados bancales. A continuação com a nossa exploração, pudemos documentar outras casas muitas das quais se observava uma espécie de janelas o abertura nos muros de contenção para os chamados bancales. Pudemos comprovar que a cidadela se extende aprox., dois hectáres, onde ao redor de 20 construções de casas e mais a explanada central, onde se encontra o muro principal com as 4 cavidades rituales. 
A cidadezinha agrícola de Miraflores foi construida seguramente por povos pre-incaicos, apesar que até os dias de hoje não é possível reconhecer com exactitude ou certeza, o povo que a edificou. E possível que os Incas tenham utilizado o lugar com o propósito de controlar o acesso ao vale e cultivar a encosta occidental da montanha, para poder surtir de alimentos como: milho, feijão ,batata, coca, abóbora, para os soldados que penetravam os limites externos do Império no Altiplano de Pantiacolla e a fortificação de Toporake, todos lugares ubicados na divisória de aprox. 4.000 m.s.n.m., entre a cuenca do Rio Urubamba e a do Rio Madre de Dios..
E possível que a cidadezinha agrícola de Miraflores tenha servido para prover alimento para um lugar maior ubicado quem sabe mais longe da meseta de Pantiocolla, refiro-me ao legendário Paititi de Inkarri? 
A continuação inspecionameos toda a zona ao redor e descobrimos outros centros residenciais e cerimoniais. A descoberta foi de uma tumba muito interessante .
Ubicação da Tumba de Miraflores: Lat.12º 36.521´Sul/Long.72º 03.731 Oeste. Altitude 2.509 m.s.n.m.
No estudo futuro de este lugar poderia até revelar o enigma da etnia que costruiu toda a cidadela.
Durante a tarde como não chovia resolvemos desmontar o acampamento base e aproximarmos ao Rio Chunchusmayo. Outro momento resolvemos montar a acampamento 2 a uns 2.000 msnm, aprox.10 minutos até o Rio.
Posteriormente baixamos a beira do Rio Chunchunsmayo e finalmente submergimos em suas aguas gelidas . Pouco depois buscamos em vão os restos de uma ponte inca que na opinião de aluns rumores deveria-se encontrar neste lugar.
No oitavo dia voltamos a Naranjayoc e ao dia seguinte caminhamos até a carreteria pavimentada.
O décimo dia nos encontramos com o nosso condutor num determinado ponto e numa poderosa camionete voltamos a Cusco , depois de dez horas de viagem.
O resultado da expediçao foi más que positivo. Alem de documentar os lugares de Tambocasa e Llactapata , descobrimos as ruinas da cidadela agricola de Miraflores. Mais un passo adiante no ambito das expediçoes Paititi-Pantiacolla.

YURI LEVERATTO
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