martes, 17 de noviembre de 2015

Cristo não é Hórus e o Cristianismo antigo é uma religião original


Há muitos anos está em curso um processo organizado que tem o fim de globalizar o planeta tanto de um ponto de vista cultural como econômico.
Quem persegue o objetivo de homogeneizar as culturas e as religiões tem interesse em uniformizar as diferentes crenças para torná-las similares, sincretizando-as. Frequentemente, se escuta dizer que “todas as religiões são iguais”, porque todas praticam o amor e a paz. Porém, é realmente assim?
Segundo esse projeto, financiado e favorecido, sobretudo, por correntes maçônicas, a religião cristã seria comparável a cultos solares preexistentes e, portanto, os Evangelhos não seriam originais, senão que se trataria de relatos alegóricos sem fundamento histórico. Neste artigo, proponho-me a demostrar que estas teses estão erradas e que o Cristianismo antigo é uma religião original.
Primeiramente é de fundamental importância distinguir entre o Cristianismo antigo e o Cristianismo pós-constantiniano.
Se houve uma solarização, ocorreu, então, no século IV, para sincretizar e obter a aceitação das massas, mas sem tem a ver com o Novo Testamento.
Vejamos por que: na mitologia egípcia, Osíris e Ísis casam-se. Osíris é morto por Seth (seu irmão malvado), que lhe despedaça o corpo. Ísis ressuscita Osíris e de sua união nasce Hórus, o Deus do Sol.
Frequentemente, quem sustenta a teoria do “mito de Jesus”, compara Ísis com Maria e Jesus com Hórus. Porém, em João 1, 1-5, está escrito que Jesus é o Verbo, criador do universo e, portanto, também do sol; enquanto Hórus é conhecido como Deus-Sol.
Há também em alguns escritos uma suposta relação de Osíris com Jesus, mas Jesus não foi esquartejado; segundo João, de fato, não se rompeu nenhum osso (João 19, 36) e não foi Maria (Ísis) quem o ressuscitou, senão que ele mesmo ressuscitou porque venceu a morte, sendo Deus (Lucas 24, 6).
Segundo alguns autores, como Acharia S., no Evangelho de Lucas haveria uma “solarização”. De modo evidentemente forçado, associa-se a João Batista com Seth (mito lunar) e Jesus com Hórus (mito solar). Vejamos a passagem do Evangelho de Lucas (1, 26-31) utilizado por esses escritores para seu raciocínio:
Aos seis meses, Deus mandou o anjo Gabriel a um povo da Galileia chamado Nazaré, para visitar uma mulher virgem chamada Maria, que estava comprometida para casar-se com um homem chamado José, descendente do Rei Davi. O anjo entrou no lugar onde ela estava e disse: - Saúdo a ti, favorecida de Deus! O Senhor está contigo. Maria surpreendeu-se dessas palavras e perguntava-se que significaria aquele saúdo. O anjo disse-lhe: - Maria, não tenhas medo, pois tu gozas do favor de Deus. Agora, ficarás grávida: terás um filho, e lhe porás o nome Jesus.
Dessa passagem e da passagem precedente deduzimos que Jesus foi concebido (pelo Espírito Santo) seis meses depois de João Batista.
Além disso, tais autores sustentam que João Batista (pôr-do-sol) nasceu no solstício de verão, seis meses antes do nascimento de Jesus, que é em 25 de dezembro, ou seja, o solstício de inverno. Fazendo um raciocínio errado, afirmam que tanto João Batista como Jesus são alegorias de Seth e Hórus respectivamente e que, portanto, não existiram na realidade, pois são somente avatares.
Pareceria um axioma perfeito, mas possui um profundo erro.
No Evangelho de Lucas não está escrito que Jesus nasceu em 25 de dezembro. E nem sequer nos outros escritos do Novo Testamento. De solarização, então, não há rastro nos Evangelhos.
A data de 25 de dezembro como oficial do nascimento de Jesus foi introduzida no ano 336 d.C., quando Constantino efetivou sua solarização, como se sabe, para atrair e reunir as massas.
Assim, demostra-se que a teoria de “João Batista/Seth/pôr-do-sol” e “Jesus/Hórus/sol nascente” existe somente na cabeça de tais escritores, enquanto que os Evangelhos refletem uma religião original que é justamente o Cristianismo antigo.
Em geral, esses supostos expertos históricos como Acharia S. baseiam suas teses sobre Hórus (o Deus do Sol) no “Livro dos Mortos”, um texto funerário egípcio escrito a partir de 1550 a.C. Na realidade, entretanto, no texto há pouca informação sobre Hórus. A maioria das fontes sobre Hórus é popular, procede, dessa forma, de provérbios não escritos que surgiram no transcurso de ao menos três milênios (de 3100 a.C. a 100 a.C.).
Segundo a tese dos que sustentam a teoria de Jesus-Hórus, Ísis era virgem como Maria e, portanto, a história dos Evangelhos seria uma cópia de um mito precedente.
Porém, o mito de Hórus conta que Osíris, o marido de Ísis, foi morto e esquartejado por Seth. Ísis encontrou todos os pedaços do corpo desmembrado de Osíris exceto o pênis, que foi jogado no rio Nilo. Com seus poderes, Ísis devolveu a Osíris a vida e recriou seu falo (de ouro ou madeira, simbolismo fálico), com o fim de conseguir engravidá-la e conceber a Hórus. Portanto, Ísis não era virgem e não é, dessa forma, igual a Maria.
O fato de que logo, em Roma, no século IV, alguns templos em honra a Ísis foram readaptados e dedicados à virgem, entra, portanto, na solarização e no processo de sincretismo operado por Constantino, mas não tem nada a ver com o Cristianismo antigo.
A terceira tese de quem apoia a teoria Jesus-Hórus é que Jesus foi batizado por João Batista exatamente como Hórus, que foi batizado por Anup, logo depois decapitado. Então, uma vez mais, os Evangelhos seriam cópias de mitos pré-existentes. Porém, na antiga mitologia egípcia, não existe nenhum Anup.
Esta história provém de falsificações banais de Gerald Massey, um autor do século XIX que não tem nenhum crédito entre os especialistas sérios de egiptologia. Essas teses foram logo retomadas por Acharia S. em seu livro “Cristo no Egito, a conexão Hórus-Jesus”. Nesse livro, Acharia S. faz um paralelo entre o deus egípcio Anúbis y “Anup o Batizador”. É possível que em algumas esculturas e pinturas egípcias tenha representação de rituais de lavagem, mas nem no Livro dos Mortos, nem nas esculturas, baixos-relevos ou pinturas, está Hórus batizado por Anúbis. Também a terceira tese, portanto, cai e a figura de João que batiza a Jesus no rio Jordão é um feito original que não provém de nenhum mito pré-existente.
A quarta tese dos defensores da teoria Jesus-Hórus é que Jesus foi tentado no deserto por Satanás, exatamente como Seth (deus do deserto) tentou matar Hórus.
Primeiro que tudo, Seth, na mitologia egípcia, não é certamente comparável a Satanás. “Tentar matar” ou “incitar a batalha” com Hórus não é a mesma cosa que “tentar”, como fez Satanás com Jesus nos Evangelhos.
A relação entre Hórus e Seth não é nunca igual à de Jesus e Satanás. Hórus e Seth estavam frequentemente em desacordo entre eles; sua sucessiva reconciliação permitiu ao faraó governar Egito. Jesus e Satanás, ao contrário, não se reconciliaram nunca.
A quinta tese dos defensores da teoria de Jesus-Hórus é que Osíris (cujo nome egípcio é Wsjr, cuja pronunciação é Ausar, Usir ou Asar), foi ressuscitado, exatamente como foi ressuscitado Lázaro por Jesus. Entretanto, não foi Hórus quem ressuscitou Osíris, foi Ísis, sua mulher.
Além disso, o nome Lázaro deriva do hebreu “Eleazar” que significa “Deus tem ajudado” e não tem nada a ver com o nome egípcio Wsjr, o qual os mais acreditados egiptólogos atribuem o significado de “o potente”.
A sexta tese dos divulgadores da teoria Jesus-Hórus é que Hórus tinha doze apóstolos, exatamente como Jesus.
Esta lenda provém, também, de Gerald Massey, quem diz que foram doze os apóstolos de Hórus. Na realidade, em algumas crenças populares fala-se dos quatro filhos de Hórus, semideuses, mas nunca de doze seguidores.
A sétima tese dos simpatizantes da teoria Jesus-Hórus é que Hórus foi crucificado antes de Jesus, então, a crucificação de Jesus seria um mito construído sobre um mito precedente.
Na realidade, Hórus é representado, às vezes, com os braços abertos, mas não “crucificado em uma cruz”. Não há nenhuma só fonte histórica que descreva um personagem real chamado Hórus que fosse crucificado e, além disso, não há nenhuma fonte histórica que comprove que no antigo Egito aconteceu uma crucificação. Pelo contrário, para a crucificação de Jesus as fontes históricas são várias, como descrevi em meu artigo “O Jesus histórico”.
A oitava tese dos defensores da teoria Jesus-Hórus é que Hórus ressuscitou depois de três dias, exatamente como Jesus.
Essa lenda provém do estudo aproximativo da Estrela de Metternich, conservada no Metropolitan Museum of Art de Nueva York. Esta Estrela não evoca de maneira alguma a morte sacrificial de Jesus. Hórus morreu menino, picado por um escorpião enviado por Seth, e logo foi ressuscitado pelo deus Thot; porém, nas crenças populares, não há rastro do renascimento no “terceiro dia”.
Além disso, Hórus não morre levando consigo os “pecados do mundo”, não morre para redimir a humanidade que, com o pecado original, havia excluído a si mesmo da salvação. Hórus não é o “Salvador do mundo”, senão que é, segundo as lendas, o Deus do Céu, do Sol e da Guerra.
A lista de falsos paralelos poderia continuar, mas nenhum deles está baseado em fontes históricas certas, pois a maioria das vezes as “fontes” são os livros de Gerald Massey (século XIX) ou de seus seguidores contemporâneos, como Acharia S.
Uma última teoria sustenta que, sendo a cruz um símbolo antiquíssimo, que se remontaria à civilização egípcia (ankh, chave da vida ou cruz ansata), a religião cristã seria, portanto, uma cópia de religiões antigas.
Também nesse ponto temos que lembrar que no Cristianismo antigo o símbolo mais utilizado era o peixe (Ἰχθύς, ichthýs) e não a cruz, cujo uso difundiu-se somente a partir do ano 313 d.C. com Constantino (in hoc signo vinces).
Os defensores da teoria de que o Cristianismo antigo é uma religião solar proveniente de cultos pré-existentes associam a Jesus também com outras figuras religiosas do passado como Mitra ou Krishna, mas também essas são simplificações banais que não tem fundamento histórico. Uma vez mais confundem (de boa fé?) o Cristianismo antigo com o Cristianismo pós-constantiniano.
De tudo que vimos, deduzimos que Jesus não é de nenhuma maneira Hórus e que os Evangelhos e os outros livros do Novo Testamento são originais e não estão baseados em cultos pré-existentes.
Segue-se com a ideia de que o Cristianismo antigo é uma religião absolutamente original.

YURI LEVERATTO
Copyright 2015

Bibliografía:
-Antiguo Testamento, Sociedad Bíblicas Unidas
-Nuevo Testamento, Sociedad Bíblicas Unidas
-Libro de los Muertos
-Acharya S. The Christ Conspiracy, the Greatest Story Ever Sold
-Acharia S Christ in Egypt: The Horus-Jesus Connection
-Unmasking the Pagan Christ por Stanley E. Porter y Stephen J. Bedard
-Hopfe, Lewis M.; Richardson, Henry Neil (9-1994). «Archaeological Indications on the Origins of Roman Mithraism». En Lewis M. Hopfe. Uncovering ancient stones: essays in memory of H. Neil Richardson. Eisenbrauns. pp. 147
-Gerald Massey, The natural genesis

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