miércoles, 12 de marzo de 2014

A inexpugnável Fortaleza de Trinchera



Durante minha última viagem a Perú, tive a oportunidade de viajar junto meu amigo, o arquólogo Ricardo Conde Villavicencio ao apertado vale de Patambuco no departamento de Puno, com a finalidade de documentar e estudar a cidadela fortificada de Trinhera, esplendido sítio arqueológico, da qual é pouco conhecido.
A viagem começou em Puno, maravilhosa cidade ubicada em frente ao lago Titicaca, onde nos dirigimos com um grande Jipe ao interior do departamento. A nossa viagem consistui de aproximadamente quatro horas chegando ao altiplano de Ananea, da qual visitamos o ano passado quando fomos a La Rinconada, o povoado mais alto do mundo.
A meseta de Ananea, situada a 5000 metros sobre o nível do mar, parecendo-se a um queixo gruyer.
A zona mineira em efeito se estende na sua grande parte do altiplano de onde se extrai principalmente, ouro, más também outros minerais. Na meseta que é um intrigado labirinto, entramos varias vezes no caminho errado, mesmo assim vendo alguns minerais nos senhalava o caminho correto. Logo seguimos pela rodovia aberta, onde sopravam ventos gélidos, em quanto ao longe podia-se divisar o pico Nevado de Ananea, a 5850 metros de altura, sobre o nível do mar.
Depois de umas duas horas de viagem, chegamos a cabeceira do rio Patambuco, um afluente do Rio Inambarí, no estreito do vale. Na entrada do vale divisamos numerosos grupos de vicunhas que passeavam livremente.
A continuação penetramos na "neblina" percorremos um estreito caminho aberto ao borde do precipicio.
Uma vez chegados a Patambuco, um povoado situado na crista direita do vale, a uns 3.400 metros sobre o nível do mar, nos dirigimos imediatamente ao sitio arqueológico de Colo Colo, um pouco mais embaixo do povoado.
De uma cuidadosa analises deduzimos que o povo que construiu as "chullpas" (urnas funerárias) de Colo Colo viviam mais embaixo, de onde hoje pode-se ver os restos de uma antiga cidadela.
Meu amigo o arqueólogo Ricardo Conde Villavicencio, sustenta que o povo de Colo Colo, (da qual eu considero que pertenceu a cultura Lupaca), não teve nada que ver com quem vivia na cidadela fortificada de Trinchera, situada por cima da montanha, de aprox. 1000 metros mais acima. Já ao redor das 4 da tarde, Patambuco viu-se envolvido numa espessa cobertura de neblina, a condesa da humanidade que vem da selva. Chegando a noite, a temperatura caiu para 5 grãos e a forte humidade nos causou uma desagradável sensação de "frio nos ossos".
Encontrámos estada da casa de uns parentes de Ricardo, que nos receberam com um prato de ótimas batatas típicas da zona, e milho fervido, arroz, e infusão de mugua, uma espécie de erva aromática parecida a menta.
Pela manhã seguinte acordamos e depois de ter tomado um nutritivo desjejum a base de suco de fruta, começamos a caminhar até a Fortaleza de Trinchera. 
Fomos acompanhados por Hector Caracciolo, um campones de 63 anos de origem italiana. Para chegar a Fortaleza (pela qual as cordenadas son de 69 grãos 38´Oeste e 14 grãos 26´Sud), tem que caminhar aproximadamente 1 hora escalando até chegar a uma altura de 4.200 msnm. Ao longe via-se os picos nevados: os raios do sol formam seu contorno más por baixo sobe com rapidez a névoa que ameaça envolver todo o vale com seu caloroso abraço. Por sorte, quando chegamos por perto dos poderosos muros que defendem a fortaleza, o céu havia ficado límpido e o sol dominava brilhante no céu azul. Eram as 7 da manhã, e o ar frio, junto com a brisa pungente acompanhavam nossa visita. A arcaica fortaleza estava ali diante nosso como a herança de um povo desconhecido que viveu naquele lugar.
Depois de um atento analises do sítio arqueológico, concluímos que tinha uma extenção de 120.000 metros quadrados, (um pouco mais que 1/10 de kilómetros quadrados).
No interior da fortaleza tem umas 500 casas, tanto circulares como quadrangulares, feitas de laje de pedra: pela qual calcula-se que o povoado total de Trinchera pode ter alcançado uns 1.500 indivíduos.
Como telhado para as casas (de uns 3 metros de diámetro ou de lado) seguramente utilizaram pãos de madeira, e palha,
materiais hoje perdidos. Caminhando até o pico da fortaleza , que logo corresponde a cúspide da montanha, nota-se como as casas são mais amplias e melhor construidas. Disto pode-se deduzir que quem pertencia a elite de Trinchera, o rei, a nobreza e os sacerdotes, viviam mais para cima, enquanto que na entrada da fortaleza viviam os guerreiros e os camponeses.
Trinchera era uma sociedade a base de auto consumo e na guerra (incursões nos vales), razão pela qual não se praticava o comercio com outros povos. Justo no pico da fortaleza pode-se observar um grande bloco de pedra utilizado, provavelmente como altar cerimonial. Observa-se algumas cavidades na pedra, usadas possivelmente para por algumas oferendas aos Deuses: folhas de coca, grãos de milho e sementes de quina.
Surge a pergunta de porque o antigo povo de Trinchera decidiu construir uma cidadela fortificada num lugar tão distante, frio e húmedo, a uma altura aprox.4.200 msnm, e tão longe das partes baixas do vale, onde pode-se cultivar fruta, hortalisas e onde o clima e mais ameno.
Para responder a essa pergunta tem que se considerar que os antigos tinham uma conceito de vida completamente diferente da nossa. 
Davam muita importancia ao culto do Sol e, por esta razão, construiam seus lugares de culto em sítios muito elevados, perto do céu, justamente.
Logo existe outro motivo: uma fortaleza rodeada de grossos muros, situada a 4.200 msnm, é dificilmente expugnável (a cidadela pre-incaica do altiplano de Marcahuasi apresenta algumas semelhanças com Trinchera, apesar de que esta última está situada numa vertiginosa altura).
O povo de Trinchera vivia de agricultura e cultivava batatas milho, quina e outros cereais andinos. Provavelmente criava camelideos andinos, como: llamas, alpacas e vicunhas.
A parte baixa estava habitada pelo povo de Colo Colo. Quem sabe os Trinchera realizabam incursões no baixo vale com a finalidade de apoderar-se de alimento e de mulheres, motivo pela qual se abrigavam na fortaleza a salvo de possíveis represálias. Na opinião do arqueólogo Ricardo Conde Villavicencio, a cultura Trinchera se remonta ao período pre-Tihuanaco e situa-se no horizonte temporal de 1250-1300 d.C.
Este tempo, refere-se como época dos governos regionais e reinos independentes, desde 1.200 a 1.400 d.C., quando todo o território corresponde ao atual departamento de Puno, que foi conquistado pela etnia dos Incas.
Na cidadela de Trinchera se encontraram fragmentos de cerâmicas com desenhos de guerreiros , felinos, condors , e mais utensílios de bronze e cobre.
Ricardo Conde Villavicencio sustenta que depois da caida do imperio de Tiahuanaco, teve um tempo de "medio-evo andino, que levou a um atraso de evolução cultural e social, deteve o progresso da civilização. Trinchera foi um dos vários reinos independentes que se formaram na era de post-Tiahuanaco. 
Enquanto a conservação, o estudo a divulgação de este sitio arqueológico, espera-se que no futuro as autoridades o preservem e incentivem um projeto arqueológico profundo, de modo a ter maior conhecimento da vida deste antigo povo de Trinchera.

YURI LEVERATTO
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