martes, 7 de abril de 2015

A exploração das biomassas no sud do mundo


No ano de 2010 encontrava-me no estado brasileiro de Amapã, viajando nesta capital de Macapã até o norte, com a motivação de conhecer e, estudar o interessante Crómlech de Calçoene, um monumento megalítico circular que se encontra na região de Calçoene, a uns 600 kilómetros da capital .
A poucos kilómetros de distancia da capital, o que percebi, de ambas partes da carreteira asfaltada imensas plantações de eucalíptos da qual consistia em ser cortados e logo transportados aos Estados Unidos de América, para produzir papel.
Na minha estimativa a plantação de eucalíptos tinham uns 20 a 30 kilómetros de extenção, mas na realidade tinha aprox. ao redor de 500 kilómetros: a grande parte do percurso de Macapá a Calçoene ocupando aprox. a metade de todo o estado de Amapá (pela qual a superficie total é de 143.000 kilómetros quadrados).
O que observei é um exemplo claro de uso massivo de uma enorme área do solo que beneficia quase exclusivamente a uma empresa privada, que naquele caso produz papel que posteriormente é vendido no mercado a preços internacionais.
A poucas semanas saiu em periódicos do mundo a noticia de que algumas multinacionais do norte do planeta estão comprando terrenos no sud especialmente na Africa e no sud´este asiático, com a intenção de plantar árvores que logo seriam transportados a centrais térmicas para serem queimadas para produzir, assim energia; a chamada energia de biomassa.
Li também os comentários de alguns leitores que sustentam que tudo isso, é substancialmente justo porque reduziria a dependência que os estados industriais tem do petróleo e que daria trabalho aos camponeses africanos, "que se não fossem guiados , fariam desastres na sua própria casa".
O problema principal, na minha opinião, poderia originar-se de esta depredação miles de vezes os paises pobres com problemas sociais: os terrenos seriam comprados por empresas multinacionais em paises como: Moçambique, Angola, Madagascar, Indonésia, India ou Camboja, que estão ocupados por camponeses pobres que vivem de agricultura de subsistência, e que no geral não tem o título de propriedade da terra onde vivem, más somente o direito do uso cedido pelo Estado.
Por desgraça comprova-se que muitíssimas vezes de que os governantes dos paises do sud do mundo, não respeitam as exigências das populações locais, tratando-se de indios o de colonos, devido a que cedem a forças internacionais ou a lucrosas conceíções usando o procedimento de desalojar a força aos camponeses indígenas, acabando com a sua subsintência terminam migrando nas megalópolis do sud do mundo, como por exemplo, São Paulo, Lagos, Kinshasa , Dacca ou Yacarta.
Esse "assalto" as terras do sud do planeta que se efetua pela produção do papel, como pode-se constatar no estado do Amapã (Brasil) : pela produção da soya, no estado do Mato Grosso (Brasil), pela produção do bio-combustível (Brasil, Colombia) ou neste caso pelo cultivo de árvores destinadas a serem queimadas.
Este é um procedimento que inevitavilmente cairá em desastrosos conflitos sociais.
Ao invés de incentivar os camponeses e os habitantes rurais a permanecerem nas suas terras, esta-se obrigando a concentrar-se nas cidades homogeneizando-os com o fim de podelos transformar em cidadões consumidores.
Muitos leitores deste artigo se perguntarão como enfrentar a crescente demanda de energia nos paises ricos, más a esta pergunta a única resposta possivel é promover a energia solar eólica e geotêrmica não massificada, e limitar os consumos projetando uma sociedade em diminuição gradual impulsionando-os a produções agrícolas locais .
Um mundo enteiro que prevê consumos para cada cidadão, comparáveis a os de Europa ocidental ou Estados Unidos de América é completamente inviável e os desastres de esta incompreensível corrida ao denominado "progresso" percebe-se já a décadas: aumento exponencial das enfermidades causadas pela contaminação industrial e pelas emissões dos meios de transporte em geral, construções devastadoras em áreas costeiras, e o aumento generalizado do consumismo: tudo isso a favor do chamado mundo globalizado .
O que se nota ao observar a situação de continua exploração dos recursos como monopolisar as terras do sud do mundo, não está longe da analises feita pelo escritor Eduardo Galeano no seu livro de 1971 de título: "As veias abertas da América Latina".
Na realidade tem transcurrido quarenta e mais anos da escrita neste livro e a conclusão que se chega é que a exploração dos paises pobres pelos paises chamados "ricos" não há terminado, mas pelo contrario tem aumentado, inicialmente respeito o petróleo e as minas, e ainda mais, o que concerne ao uso do solo para a produção do bio-combustível, biomassas, e a construções de imensas digas para o aumento exponencial da energia.
No norte do mundo, o debate político e economico está desgastado há muitos anos sobre a necessidade de manter e incrementar o número de empregados e de dar seguridade e garantisar as empresas o aproveitamento e pelo tanto a capitalização bursátil, é um sistema destinado a colapsar e pode-se notar já os primeiros sinais.
A única solução para se obter um caminho decisivo para um desenvolvimento sustentável humano, espiritual e social, é voltar gradativamente ao mundo rural e o respeito a nossa Terra, responsabilizando-nos do futuro seguro, produzindo energia solar e outros meios renováveis, alimentos por meio da agricultura e gado não massificado, distribuindo num mercado por meios modernos prácticos como internet, a eventuais compradores por excessos de produção. 
As mudanças devem começar dentro de cada um de nos. Se continuarmos a participar a desta corrida insensata ao consumismo sem concentrar-nos na redução da chamada “pegada ecológica”, seremos responsáveis do completo desequilibrio do planeta como já o estamos observando, que causará ou esta já causando a sua vez ,conflitos sociais, crises de alimento e hidríco , como também cruentas guerras pelo controle dos recursos em geral.

YURI LEVERATTO 
Copyright 2012

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