miércoles, 15 de julio de 2015

O problema do relativismo cultural: o caso dos infanticídios nas comunidades indígenas da Amazônia


O processo indigenista que tem desembocado na valorização das culturas autóctones em America do Sul começou quando, em 1910, o explorador e “Sertanista” Candido Rondon foi designado do “Serviço dos Indígenas”. 
A partir de 1960, como sabemos, foram demarcadas e instituídas numerosas terras indígenas (hoje são umas 600 para um total de mais de um milhão de quilômetros quadrados e um total de aprox. 600.000 autóctones), com objetivo de preservar as culturas dos nativos e proteger aos indígenas de procuradores ilegais de ouro, valiosa madeira, pedras preciosas e muito mais. 
A uma distância de 40 anos do inicio das primeiras demarcações notou-se que a respeito os problemas não ouvem diminuição, inclusive às vezes aumentaram. O ter separado completamente os indígenas dos não indígenas tem favorecido a criação de sentimentos de ódio por parte dos nativos em confronto com os brasileiros não nativos. Em ocasiões a situação degenerou em verdadeiros conflitos sociais como no caso das terras indígenas Raposa Serra do Sol e Roosevelt. 
Ja faz algum tempo, alguns periodistas brasileiros tem denunciado esta situação, sustentando que as teses indigenistas e ambientalistas escondem na realidade um projeto de privatização global da Amazônia brasileira. A respeito estas ideias, as vezes reconhecidas como “ruralistas” as demarcações de imensas terras serviriam para demonstrar ao mundo que o governo do Brasil preserva as culturas dos nativos e defende seu território, enquanto que na realidade se lhes permitiria a ONG estrangeiras entrar nas áreas em questão que, com a cumplicidade dos nativos já corruptos se apropriariam da bio-diversidade, do ouro, das pedras preciosas dos idro-carburantes e da valiosa madeira. 
Lembro-me que somente o fato de demarcar uma área rica em ouro (como a terra indígena Yanomami) e a seguinte decisão de expulsar a todos os procuradores de ouro ilegais daquele território, foi a causa direta de um aumento do preço do ouro nas praças de Londres e Nova Yorque (1992). 
As demarcações de mais 600 terras indígenas causaram também debates sociais já que os indígenas foram reconhecidos com o “estatuto do índio” como sujeitos que a lei não pode perseguir, de modo que são comparados como menores de idade e considerados sujeitos sem capacidade de entender ou de querer. Na prática, são pessoas que gozam de um status diferente do cidadão normal brasileiro. Seus costumes e tradições e inclusive práticas mais ancestrais foram respeitadas, inclusive, quando se entra no sentido comum e dos principais fundamentos das sociedades ocidentais. Refiro-me particularmente a prática do infanticida, efetuado em algumas culturas indígenas amazônicas como as de Yanomami, que ainda hoje sacrificam a primogênita, se é menina, pelo bem da sua comunidade, evidentemente dentro do seu conceito e visão (1)(2)(3). 

Na teoria do relativismo cultural, proposta pelo judeu alemão Franz Boas (1858-1942), não existe nem o bem e nem o mal no sentido absoluto mas, estes conceitos tem o valor somente dentro das culturas humanas. De modo que ou infanticídio por causas propiciatórias ou salvadoras é tolerado, e também a mutilação do clitóris em algumas culturas tribais africanas deve ser respeitada. 
Franz Boas, em contra posição a Edward Tylor (1832-1917), opinava que não se pode julgar o comportamento o atitudes de uma pessoa que atua dentro da sua etnia, já que seu conceito de bom o mau, é diferente de outras pessoas pertencentes a outras etnias. Então dentro este conceito, o ser humano estaria numa prisão mental na sua cultura e não se livraria aceitando conceitos universais de não violência, em respeito total pelo próximo e direito a vida. No Brasil atual a polemica esta acesa entre os antropólogos que estão de acordo em respeito ao relativismo cultural e aqueles que defendem a universalidade ética. 
Na base de este último conceito está a idéia de que por cima das culturas existem preceitos universais, justamente porque as diferentes culturas humanas fazem parte de um conjunto maior, ou seja: a sociedade humana no seu complexo. 
O brasileiro Sergio Rounaet (1934) afirma que “o homem pode viver fora da sua cultura, porque ela não é seu destino, mas é somente um meio para alcançar a liberdade”. 
A polemica esta aberta: de um lado os indigenistas puros que afirmam que as sociedades dos nativos amazônicos estão “intactas”, ou seja, não influenciada pela maldade do “homem branco”. Trata-se de mito do “bom selvagem”, ou seja, a teoria refutável pelos antropólogos que sustentam que os indígenas são bons e que não conhecem a maldade. Os que defendem estas teses esquecem precisamente os sacrifícios humanos das sociedades meso-americanas (mayas, aztecas), más também os perpetuados pelos incas (ver a múmia Juanita), e basicamente desconhecem o caso dos infanticídios das culturas atuais amazônicas ou se limitam a sustentar que a cultura indígena deve ser respeitada na sua totalidade, esquecendo-se de que a morte de uma criança inocente é uma prática que em minha opinião deve ser detida, possivelmente introduzindo, psicólogos na tribo com a finalidade de que seja menos brusca a separação das tradições ancestrais. 
Aqui apesar disso abre-se outro debate: admitindo que o indígena que efetua este infanticídio não seja perseguido pela lei brasileira (estatuto do índio), é tarefa da sociedade ensinar os fundamentos dos direitos humanos, ou deveria deixar-lhes a sua cultura (com o risco, apesar disso de que cometa outro infanticídio?).
Na teses da universalidade da ética pela qual eu estou de acordo, tem quem cambio preceitos genéricos, que além do mais foram definidos na “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, aprovada em 1948 pelas Nações Unidas que a sua vez tem origem da “Declaração dos direitos do homem e do cidadão” de 1789, elaborada durante a Revolução Francesa.
Estes preceitos, que afirmam que “todas as pessoas nascem livres e iguais em liberdade e de direitos” e que “todas as pessoas tem direito a vida, a dignidade e a seguridade pessoal”, da qual liberam o homem de suas culturas ancestrais e os tornam portadores de direitos fundamentais que se colocam por cima dos costumes tribais e culturais. 
O dialogo poderia-se ampliar, por exemplo os Testemunhas de Jehova estão em contra das transfusões de sangue. Existiram casos de que famílias pertencentes a esta religião privaram que seus filhos doentes da possibilidade de obter uma transfusão, do qual, teria causado a morte do menor.
Também neste caso, em minha opinião, tem um conceito maior da culturalidade (o neste caso da religiosidade) que e justamente o conceito do direito daquele menor a vida. 
Voltando ao indigenismo da área amazônica, como por exemplo, no Brasil e na Bolivia, sustento que o conceito de universalidade da ética deve prevalecer por cima das práticas infanticidas efetuadas em algumas tribos amazônicas. 
Bolivia recentemente foi transformada de “Republica” a “Estado pluri-nacional” e também o Brasil esta lentamente convertendo-se numa nação pluri-etnica, com 234 povos reconhecidos e 180 idiomas diferentes. Esta criação de “nações “, cada uma separada da outra, onde os indígenas são adotrinados na sua cultura, mas não tem acesso a outras concepções de vida, e onde um chefe da tribo comanda a administração de áreas as vezes tão grandes como um pais europeu, pode levar com facilidade a episódios de corrupção; refiro-me a uma entrada de entidades externas nestes territórios que logo se apropriarão da bio-diversidade, minerais, pedras preciosas e hidro carburantes . 
Quem apoia o indigenismo pelo exterior defendendo o relativismo cultural ou proponendo uma “reconsideração dos Direitos Humanos” estão indiretamente afastando os índios cada vez mais, já que não estarão mais com a capacidade de defender-se de ataques externos, mas que em cambio serão facilmente corruptíveis .

Yuri Leveratto 
Copyright 2014

Tradução: Anna Baraldi Holst – Itapema Sta.Catarina - Brasil

(1)http://www.humanium.org/en/infanticide/
(2)https://www.umanitoba.ca/faculties/arts/anthropology/tutor/case_studies/y
anomamo/marriage.html
(3)http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1555339/Girl-survived-tribescustom-
of-live-baby-burial.html

martes, 14 de julio de 2015

O simbolismo messiânico no processo exploratório de Cristóvão Colombo


Gênova e Florença, duas grandes capitais renascentistas. 
Gênova, a soberba, dominadora dos mares e sede poderosa de  bancos. Florença, o centro financeiro mundial, dominado pelos Medici, os maiores capitalistas do século XV.
Em Gênova nasceu Cristovão Colombo, o navegante dos mares, que considerava-se ele próprio o Messías e portador da Fe ao Novo Mundo.
Em Florença nasceu Américo Vespucio, o viajante, o observador atento e o cosmógrafo.
Estes dois grandes italianos, da qual deve-se a história do Novo Mundo, tiveram a oportunidade de se conhecer em Sevilha (Espanha).
Logo estava Roma, o centro da Cristiandade, comandada pelo Papa genovês, chamado: Giovanni Battista Cybo - Inocencio VIII.
O século XV, foi marcado por um acontecimento fundamental.
No ano de 1453, os Turcos Otomanos conquistaram Costantinópla e islamisaram na sua grande parte a zona do Mediterráneo Oriental. 
Seu controle das rotas marítimas impediu grandes oportunidades para o comércio de Gênova e Veneza, que trocou por muitos anos com os empórios do Mar Negro e do Oriente Médio
O avanço do islamismo, visto como uma força que se opõe ao cristianismo, também foi sentido no sul da Espanha. O risco de que os islamicos bloqueassem o Mundo Ocidental era real.
Alem disso tinham sinais de novas terras no Mar Oceano. A possibilidade de que os muçulmanos, sejam eles Arabes ou Turcos, conquistar novos territórios era real.
Inocêncio VII tinha entendido isso e apoiou a empresa de Cristóvão Colombo.
Embora provavelmente os dois nunca se encontraram, Inocêncio VIII patrocinou a empresa, tanto respeito ao financiamento da parte italiana (Giannotto Berardi era um banqueiro dos Medici, por sua vez, relacionado com o Papa), ambos na parte espanhola (os dois sócios-gerentes da Santa Irmandade foram interligados com o Papa: Santangel foi o colecionador das receitas eclesiásticas de Aragão e Franceso Pinelli era o sobrinho do Papa).
Cristóvão Colombo, que durante décadas tinha sido experiências de navegação no Oceano Atlântico (Oceano Mar), era a pessoa perfeita para completar o projeto de conquista de vastos territórios e evangelização das pessoas que lá viviam: o indígenas.
Se Cristóvão Colombo não tinha completado a empresa, como representante do cristianismo, o projeto de conquista teria completado por os muçulmanos, ea história do mundo teria tomado uma direção diferente.
Para Colombo, Portugal e Espanha representavam os melhores meios para alcançar seus objetivos: a evangelização  do mundo, a vitoria final de Cristo, e ele, que se chamava Cristovão (que detem o Cristo), se sentiu iluminado e instruído por Deus para trazer a Fé no Novo Mundo.
Seus estranhos sinais cabalísticos (foto principal), sao um exemplo claro de quem se considerava o segundo Messias: 

           S
        S A S
        X M Y
   Xpo Ferens

                
Isso foi interpretado como segue:

Sou Servo do Altíssimo Salvador Cristo,
Filho de Maria, portador de Cristo

O fato de que Colombo era interessado em encontrar grandes quantidades de ouro está interligado com o objetivo final. 
Só com grandes quantidades de ouro teria sido possível pagar bem armados exércitos para derrotar os muçulmanos e recuperar o Santo Sepulcro.
Más aquelas imensas quantidade de ouro e prata, no entanto, foram utilizados por Carlos V e seus sucessores em guerras internas na Europa.
Colombo tinha conhecimento do livro “O Milhao” escrito por Marco Polo. Acreditava de chegar ao Catay (China) e possivelmente fundar junto aos Chineses uma aliança contra o Isla.
Seus planos, no entanto, entraram em conflito com a sua mente, ancorada à Idade Média.
Seu maior erro foi subestimar a extenção real da circunferência terrestre, e acreditar de ter chegado perto do Catay (China), quando na realidade estava a miles de kilómetros de distância.
As ilhas que ele descobriu foram bautizadas com nomes divulgando a Bíblia, Cristo, ou o patrocinador do projeto, Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cybo).
E assim, a ilha onde se acoplaram as caravelas foi nomeada San Salvador (Guanahani), Cuba foi batizada inicialmente Juana (Joana, em espanhol, em honra de São João ou Giovanni Battista Cybo?); também foi chamado San Juan de Puerto Rico (San João, a capital de Porto Rico ainda é San Juan) e a Jamaica foi chamada Santiago (um santo que combateu os muçulmanos).
Nas viagens sucessivas Colombo estava cego pela possibilidade de chegar ao Cathay e as Índias, para realizar seu sonho, mas seus resultados não foram inicialmente apreciados. 
As novas terras, na verdade, eram vistas quase como um obstáculo na corrida para as Índias para aproveitar as rotas comerciais.
Apesar de ter sido chamado de "Almirante do Mar Oceano" e "vice-rei das Índias", seu poder começou a desaparecer.
Em Roma não havia más o papa Inocêncio VIII, más um novo Papa españhol: Rodrigo Borgia, Alexandro VI. 
Borgia irá apoiar apenas os interesses de Espanha (linha de Tordesilhas).
A História não foi ao seu favor, naquele momento era a Espanha que havia-se aproveitado dele, e assim Colombo já não era necessário. Seus descendentes tiveram que lutar para ser reconhecidos os privilégios que tinham sido concedidos. 
E havia outro italiano, cuja mente não era medieval, más moderna. Foi Amerigo Vespucci: viajante, observador, cosmógrafo, antropólogo. 
Em suas notas, ele escreveu dos nativos, homens livres, cujos hábitos e costumes devem ser respeitados. Amerigo não foi motivado pelo desejo de evangelizar, nem pelo desejo de encontrar grandes riquezas.
Embora Colombo morreu sem reconhecimento nem honras, na sua morte várias cidades disputavam os seus restos mortais, e ainda são dezenas de cidades que suportam a sua paternidade.
A sua epopeia no mundo Ocidental somente foi segunda da aquela de Jesus Cristo. 
O genoves venceu, trazendo a fé em Cristo no Novo Mundo, embora o processo de evangelização forçada dos nativos acabou por ser um dos o maior choque de cultura de todos os tempos.
Tambem o florentino triunfou, porque as suas cuidadosas observações geográficas e antropológicas, e a sua enorme experiência adquirida em quatro viagens de exploração, levou a ser, antes de sua morte, o homem mais experiente no planeta do Novo Mundo.
Para isso, ele foi premiado pelo rei Fernando, com o título de "Piloto Mayor de Castilla", e por esta razão o Novo Mundo será sempre lembrado com o nome: América.

YURI LEVERATTO
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