martes, 9 de junio de 2015

A moral e a organização social nos Machiguenga


Os Machiguenga vivem no Peru sud oriental, nos vales do Rio Urubamba (região de Cusco), e do Rio Alto Madre de Dios .
Falam uma lengua do grupo arawak , e se aproximam num total de 9000 pessoas.
A primeira vez que tive contato com estes indígenas foi no ano de 2008, quando um deles me levou aos petróglifos de Pusharo, um magistral gravado na pedra da qual a origem e o significado nenhum deles sabe explicar .
Na sua lengua a palavra "machiguenga" significa "gente".
Todos aqueles que não faça parte da sua etnia e considerado como "outro", tanto se for indígena (por exemplo mashco piro, nahua o ashaninka) como peruano o extrangeiro .
Na opinião dos expertos mais reconhecidos, começando pelo Padre Vicente de Cenigagoya, o homem machiguenga não consebe os conceitos de território nação, e muito menos de pátria, como nos os ocidentais o concebemos.
E verdade que se reconhecem um grupo humano que fala a mesma lengua e que tem os mesmos costumes, más o conceito de chefe ou líder e para eles diferente daquilo que o homem ocidental considera.
Não tendo líder, vivem juntos em grandes famílias, mesmo assim entre eles não existe uma verdadeira cabeça, ou chefe, o mais parecido é um sabio que a acessora em caso de problemas ou disputas. Na opinião do Padre Andres Ferrero, se um grupo de piros (povos) do baixo Urubamba atacara a um grupo de machiguenga do Camisea, outros machiguenga não fariam absolutamente nada; ninguém ousaria vingar a morte de gente da sua própria cultura e estirpe ...porque ?
Parece que a mentalidade desta etnia é fortemente individualista.
Faltam completamente os conceitos pátrios o da nação, nem existe o de guerra, a não ser em casos raríssimos.
Este grupo humano vive em cabanas, no máximo duas o três onde encontra-se a grande família. Não forma aldeias.
A imensidade da selva que circunda seus assentamentos faz que sejam poucos o nulos os motivos de desacordo e de disputa entre seus integrantes. Observa-se que se tivesse, no geral acontece que a cabeça da família se locomove levando seus pertences a beira do outro rio, longe do motivo da briga.
Entende-se então o porque da sociedade machiguenga não tenha um presidente nem documentos necessários para reconhecer e ou catalogar a uma pessoa, não existem delinquentes, salvo raríssimos casos como aquele de Huaneco, um indivíduo violento da qual o Padre Polentinise referiu-se. Não tendo prisão estes sujeitos são exilados, deixándo-os sozinhos e sem ajuda .
Na lengua machiguenga existe um vocabulário para o chefe, " itingami", que junta o conceito de "o mais importante " (por exemplo, o rio principal fala-se "otigamá").
Apesar disso não é o chefe que manda, más quem tem a autoridade, quem sabe convencer com sua palavra, quem domina o problema e o resolve, e está somente a cargo de sua família, más não de um clâ, e muito menos de toda a etnia.
Além disso quem vive na grande família são livres de opinar e discordar do "chefe" e se quiseram são livres de sair e organizar sua própria vida em outro lugar: a selva é grande.
Tambem não existe o conceito de pátria entre os machiguenga, quasi nenhum deles lutaria pela sua terra, e nisso eles se diferenciam, por exemplo, dos matsés da cuenca del Rio Yavarí, que até 1985 lutaram com todos seus meios para defender seu território.Se os machiguenga fossem molestados se afastariam em outro lugar.
Na lengua dos machiguenga existe o conceito de moral, do bem e do mal: fala-se: "kametite".
E das poucas palavras que expressa um conceito genérico, porque normalmente, a lengua dos machiguenga e muito específica .
Em verdade que para eles existe uma maneira justa ou injusta de comportar-se, mas não parece atender a uma lei superior o divina, que está na base da nossa cultura ocidental.
A moral machiguenga parece ser substancialmente laica. E uma moral social e não religiosa. O mais importante das normas não escritas é "não matarás". Efetivamente, o homicídio é considerando o maior dos delitos, apesar de que e bem sabido que entre os machiguenga abandona-se aos doentes, a os anciões decrépitos e as crianças desformes. Inclusive não trata de um homicídio direto, desamparar na selva a uma pessoa em dificuldade equivale a omitir-se, mas este ato não está ditado pela maldade: mas que tudo é pelo fato da falta de condições de vida que se impõe: não tendo alimento suficiente para quem esta com saude para poder caçar , por isso quem esta com dificuldade converte-se num peso insustentável para um determinado grupo de pessoas.
No que concerne na igualdade entre os sexos ainda os machiguengas consideram a mulher como um ser inferior.
Respeito o matrimônio, no comum rege uma estrita norma exo-gamica, o bem dizer o jovem deve-se casar com uma mulher que não tenha nenhum parentesco com sua família.
A nova família vive onde vivia a mulher. A poligamia e frequente, apesar que muitas vezes é origem de discussões entre mulheres. No geral o homem é que intenta apaziguar os ánimos e disimular no caso de ter uma preferida. É comum tambem a poli-andria, especialmente na zona de Pantiacolla, por falta de mulheres.
Nesses casos, o machiguenga por medo que sua mulher o abandone, ou para obter favores, tolera que outro homem a possua carnalmente.
Está em perigo a existência dos machiguenga qual sera seu futuro?
Na aparencia, considerando o Parque Nacional do Manu e do Santuario Nacional del Magantoni, áreas imensas onde podem circular livremente, os machiguenga deveriam estar seguros e poderiam-se conservar indefinidamente sua cultura.
As ameaças, apesar disso são frequentes: na zona do Rio Camisea, sua existência como "entidade cultural distinta" está já em perigo, devido a presença de empresas que extraem gás de seu território (PlusPetrol) .
No lote 88 (que se supõe que seja de reserva Nahua-Nanti), já esta operando a empresa Plus Petrol junto a Rapsol e HuntOil .
Esta última anunciou, que explorará o lote 76 que encontra-se na terra dos indígenas huachipaery, perto do Parque Nacional del Manu, onde vivem os machiguenga.

YURI LEVERATTO
Copyright 2014

A construção das represas de Belo Monte, no Rio Xingú, na Amazónia brasileira


As construções das faraónicas represas de Belo Monte, no Rio Xingu, um afluente direto do Rio Amazonas, gera a muito tempo intermináveis controvérsias.
De um lado estão os indígenas das reservas colidentes no lugar onde já se esta construindo, liderados pelo cacique Raoni e por varias organizações ambientalistas e indigenistas.
Pelo outro está o governo, as empresas multinacionais e os interesses de poderosas sociedades, normalmente estrangeiras que precisam de enorme cantidade de energia a baixo preço, para continuar a produzir alumínio e outros bens de consumo.
Estranhamente, a Funai (Fundação Nacional do Indio), que deveria proteger os interesses deles e não permitir a construção de obras enormes que possam alterar os ciclos naturais e biológicos, manifestou-se dizendo que as represas não causarão a saída forçada de indios, e pelo tanto não e incompatível com o normal desenvolvimento de sua vida (1).
O projeto prevê um dique primeiro no sítio do Pimental: a construção de um gigantesco canal de aproximadamente vinte quilômetros onde correrá a maioria da agua do Xingu e, logo, a construção de uma segunda represa onde será produzido 98% da eletricidade de Belo Monte. Na zona no entorno ao lugar onde surgirá a imensa obra tem varias terras indígenas: Apyterewa, Aradwete, Trincheira, Bocajá, Koatinemo, Kararao, Cachoeira Seca, onde vivem os Kayapos, os Assurinis, os Araweté, os Parakaná e outros povos.
Todas essas terras poderão ser inundadas com o tempo no transcorrer do ano, devido a construção do dique de Pimental.
O Rio Xingu, em efeito está experimentando uma subida de dezembro a maio.
Justamente nesses meses as terras indígenas situadas no rio acima do dique, poderiam ser parcialmente inundadas prejudicando a agricultura e a pesca deles, além do mais acredita-se que para a construção da represa de Pimental terão que ser abatidas aprox. 3 milhoes de árvores.
Enquanto que impacto ambiental, e verdade que a represa de Pimental vai impedir a maiora dos peixes subir o rio.
Fizeram-se estudos incluindo instalando chips nas escamas de alguns peixes para intentar compreender quais são os que emigram da desembocadura até as fontes do Xingu, com a finalidade de poder reproduzi-los em cativeiro depois de Pimental, mas é longe ainda de compreender completamente estas dinâmicas e muitos acreditam que o transtorno pela qual serão submetidos os indígenas que vivem nessas terras por perto a zona será muito alto.
Más como estamos sabendo já a empresa canadense Belo Sun Miting esta começando um processo de exploração de uma zona não tão longe de 10 kilómetros do Pimental.
Fala-se de aprox. de 142 toneladas de ouro que será extraido da terra Amazónica. Muito mais de que 100 toneladas que se obtiveram em dez anos de exploração no tão mao falado sitio da Serra Pelada.
Voltando ao Belo Monte, os defensores da obra sustentam que será o terceiro dique do mundo, (depois das Tres Gargantas, na China, e a de Itaipu entre Paraguay e Brasil).
Funcionando, produzirá 11,2 gigabyte de eletricidade, que deveriam servir para melhorar a distribuição energética em toda a Amazonia. O mais alto de 11,2 gigabyte apesar disso poderá alcançar somente entre janeiro e maio, quando o rio estiver alto.
O alcance do complexo de Belo Monte não poderá gerar mas do que 4,5 gigabyte de eletricidade (41% de sua capacidade instalada)
Quem são os proprietários do consórcio de Belo Monte?
O 50% é da Eletrobrás, uma empresa que a sua vez e controlada pelo Estado. Uns 20% são das empresas Vale (extração de minerais), Sinobrás (siderúrgica), Cemig e Light (produção e gestão da energia elétrica).
O restante 30% está nas mãos dos fundos de pensões e participações. 
No geral, as associações ambientalistas sustentam que no Belo Monte está desenvolvendo uma situação de uma politica de capitalismo extremo que não tem em consideração as exigências dos indígenas e nem sequer a população mais humilde. Como aconteceu logo com as construções de outras obras faraónicas no Brasil, é possivel que a energia que será produzida em Belo Monte não seja reservada a população amazónica, más que será destinada a ser vendida as grandes empresas do sul do Brasil (os Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais) ou incluindo tambem a empresas estrangeiras como a Alcoa, que produzem alumínio no Brasil.
As recentes protestas no Brasil antes e durante a Copa Mundial de Futebol demonstraram que existe uma classe media que não considera justo que as multinacionais ganhem cifras absurdas em detrimento do cidadão comum, que cada vez mais sente o peso em todos os serviços no geral.
Estas obras gigantescas que tem o risco de alterar para sempre uma zona como a Amazonia, já ferida pela avenida trans-amazónica e que provavelmente causará grandes danos a população indígena, da qual serviria somente a grandes grupos industriais que obtendriam energia a baixo custo para suas produções minerais e siderurgicas.
Se isso se realizará, as populações autóctones e locais seriam enganadas duas vezes: antes que tudo por perder um ambiente natural primordial, e outro porque poderá ver elevar-se o custo da energia em preços desproporcionais.

YURI LEVERATTO
Copyright 2014

Tradução: Anna Baraldi Holst, Itapema, Santa Catarina, Brasil

(1) http://www.intertechne.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=253&Itemid=2