martes, 28 de abril de 2015

A concorrência para a exploração de coltan, a mais recente ameaça ao bioma Amazônico



Hoje, as empresas multinacionais estão competindo em silêncio, agarrando lugares estratégicos do planeta, com a bênção de alguns países que cederam parte da sua soberania a entidades externas, muitas vezes por razões "humanitárias", "ambientais" ou "indigenistas".
No Brasil, por exemplo, por várias décadas, a vasta fronteira com a Colômbia, Venezuela e Guiana foi oficialmente demarcada, a fim de reservá-la para alguns povos indígenas. Colonos brasileiros foram forçados a deixar suas terras e foram compensados, como no caso dos indígenas da área de Raposa Serra do Sol.
No entanto, de acordo com muitos brasileiros, entre os quais está o comandante militar da Amazônia, o verdadeiro propósito dessas fronteiras é outro: poder dispor de uma imensa porção de terra (mais de 300.000 quilômetros quadrados, quase completamente desabitados), permitindo a entidades externas (ONGs) entrar e realizar estudos específicos da biodiversidade, exploração mineral e exploração de recursos hídricos.
Enquanto em território brasileiro ao longo da fronteira esteja "blindado" e ninguém possa entrar sem autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio), a Amazônia que corresponde a Colômbia (além do departamento de Vichada, na Orinoquia), e a Venezuela tem por muitos anos sido a sede de grupos armados que ainda hoje controlam as drogas da área em questão.
Quando cinco anos atrás, foi anunciada ao mundo a descoberta de uma grande jazida de coltan na Amazônia venezuelana, começou uma competição perigosa para garantir territórios amazônicos, geralmente ancestrais para alguns grupos indígenas (como Tukano).
Enquanto na Venezuela o governo tem militarizado a área, apenas para evitar o surgimento de grupos armados ilegais que poderiam controlar o comércio, na Colômbia, originou-se um fluxo de traficantes e especuladores nos departamentos de Vichada, Guainía e Vaupés, limitando com a área de indígenas do Alto Rio Negro, no Brasil.
O coltan, que é um conjunto de columbita (nióbio) e tântalo, um mineral importante para a produção de dispositivos eletrônicos, como telefones celulares, computadores, televisores de plasma, videogames, mp3, mp4, GPS, satélites e sistemas eletrônicos para armas de elevada precisão como as chamadas "bombas inteligentes". O tântalo é crítico porque é usado na construção e miniaturização dos condensadores eletrolíticos.
Na África, a concorrência para a apropriação de reservas estratégicas de coltan têm causado uma guerra em que, até agora, já morreram 5 milhões de pessoas.
O Congo tem oficialmente 60% das reservas mundiais de coltan, mas o minério é processado principalmente em Ruanda e Burundi, países onde é exportado para o norte do mundo.
As reservas remanescentes de coltan estão localizadas em uma área estratégica entre o Brasil, Colômbia e Venezuela.
Comumente, na Colômbia, a autorização para extrair o minério deve ser de INGEOMINAS, mas em relação ao coltan, até agora, apenas cinco "direitos minerários" foram concedidos enquanto o resto da operação parece ser ilegal.
A maioria dos comerciantes ilícitos do coltan são obrigados a pagar uma espécie de imposto (cerca de US $ 2.500 por tonelada) para os grupos armados ilegais que controlam o território, mas uma vez que o minério é transportado para Bogotá, você pode vender a $ 60.000 ton.
É uma grande preocupação que os departamentos de Vaupés e Guainía tornem-se locais onde os traficantes de ouro sem lei e coltan trabalhem a vontade.
As áreas onde estes dois minerais são frequentemente localizados são lugares ancestrais para os indígenas Cubeos, Tukano e Puinaves e a indiscriminada exploração ilegal pode resultar em alta poluição de rios com mercúrio e cianeto, e a condição dos usos e costumes dos povos indígenas. Alguns jornalistas da Colômbia relatam, de fato, que na capital do Guainía, Puerto Inirida, há já casos de prostituição infantil e aumento da criminalidade.
Seria oportuno que a exploração de jazidas de coltan presentes no território colombiano fosse regido por regras precisas, mas o afastamento do Guainía e Vaupés, do centro da Colômbia, e da absoluta falta de ruas aumenta a dificuldade de implementação de controles sérios.
Do outro lado da fronteira, no Brasil, fica a enorme "Área Indígena Alto Rio Negro" (conhecido no Brasil como "cabeça do cachorro" em forma, que tem uma área de cerca de 80.000 quilômetros quadrados), uma área de Amazônia atravessada pelo Rio Negro e um de seus afluentes, o Rio Vaupés. Lá, onde é absolutamente fora de limites para os cidadãos brasileiros comuns ou estrangeiros, há depósitos significativos de ouro (Serrania del Taraira) e reservas consideráveis de coltan, como nas proximidades de Morro dos seis lagos.
De acordo com alguns jornalistas brasileiros dentro da área indígena Alto Rio Negro há busca e exploração ilegal de coltan e outros minerais que estão sendo contrabandeados na Colômbia, dados os poucos controles apresentados ao longo da fronteira amazônica que é muito extensa entre os dois países.
Também neste caso, seria apropriado para o governo brasileiro de realizar inspeções rigorosas sobre as atividades dentro da área indígena em questão para evitar que grupos de mineiros ilegais poluam o meio ambiente, alterando os costumes dos nativos.

YURI LEVERATTO
Copyright 2011

martes, 7 de abril de 2015

A exploração das biomassas no sud do mundo


No ano de 2010 encontrava-me no estado brasileiro de Amapã, viajando nesta capital de Macapã até o norte, com a motivação de conhecer e, estudar o interessante Crómlech de Calçoene, um monumento megalítico circular que se encontra na região de Calçoene, a uns 600 kilómetros da capital .
A poucos kilómetros de distancia da capital, o que percebi, de ambas partes da carreteira asfaltada imensas plantações de eucalíptos da qual consistia em ser cortados e logo transportados aos Estados Unidos de América, para produzir papel.
Na minha estimativa a plantação de eucalíptos tinham uns 20 a 30 kilómetros de extenção, mas na realidade tinha aprox. ao redor de 500 kilómetros: a grande parte do percurso de Macapá a Calçoene ocupando aprox. a metade de todo o estado de Amapá (pela qual a superficie total é de 143.000 kilómetros quadrados).
O que observei é um exemplo claro de uso massivo de uma enorme área do solo que beneficia quase exclusivamente a uma empresa privada, que naquele caso produz papel que posteriormente é vendido no mercado a preços internacionais.
A poucas semanas saiu em periódicos do mundo a noticia de que algumas multinacionais do norte do planeta estão comprando terrenos no sud especialmente na Africa e no sud´este asiático, com a intenção de plantar árvores que logo seriam transportados a centrais térmicas para serem queimadas para produzir, assim energia; a chamada energia de biomassa.
Li também os comentários de alguns leitores que sustentam que tudo isso, é substancialmente justo porque reduziria a dependência que os estados industriais tem do petróleo e que daria trabalho aos camponeses africanos, "que se não fossem guiados , fariam desastres na sua própria casa".
O problema principal, na minha opinião, poderia originar-se de esta depredação miles de vezes os paises pobres com problemas sociais: os terrenos seriam comprados por empresas multinacionais em paises como: Moçambique, Angola, Madagascar, Indonésia, India ou Camboja, que estão ocupados por camponeses pobres que vivem de agricultura de subsistência, e que no geral não tem o título de propriedade da terra onde vivem, más somente o direito do uso cedido pelo Estado.
Por desgraça comprova-se que muitíssimas vezes de que os governantes dos paises do sud do mundo, não respeitam as exigências das populações locais, tratando-se de indios o de colonos, devido a que cedem a forças internacionais ou a lucrosas conceíções usando o procedimento de desalojar a força aos camponeses indígenas, acabando com a sua subsintência terminam migrando nas megalópolis do sud do mundo, como por exemplo, São Paulo, Lagos, Kinshasa , Dacca ou Yacarta.
Esse "assalto" as terras do sud do planeta que se efetua pela produção do papel, como pode-se constatar no estado do Amapã (Brasil) : pela produção da soya, no estado do Mato Grosso (Brasil), pela produção do bio-combustível (Brasil, Colombia) ou neste caso pelo cultivo de árvores destinadas a serem queimadas.
Este é um procedimento que inevitavilmente cairá em desastrosos conflitos sociais.
Ao invés de incentivar os camponeses e os habitantes rurais a permanecerem nas suas terras, esta-se obrigando a concentrar-se nas cidades homogeneizando-os com o fim de podelos transformar em cidadões consumidores.
Muitos leitores deste artigo se perguntarão como enfrentar a crescente demanda de energia nos paises ricos, más a esta pergunta a única resposta possivel é promover a energia solar eólica e geotêrmica não massificada, e limitar os consumos projetando uma sociedade em diminuição gradual impulsionando-os a produções agrícolas locais .
Um mundo enteiro que prevê consumos para cada cidadão, comparáveis a os de Europa ocidental ou Estados Unidos de América é completamente inviável e os desastres de esta incompreensível corrida ao denominado "progresso" percebe-se já a décadas: aumento exponencial das enfermidades causadas pela contaminação industrial e pelas emissões dos meios de transporte em geral, construções devastadoras em áreas costeiras, e o aumento generalizado do consumismo: tudo isso a favor do chamado mundo globalizado .
O que se nota ao observar a situação de continua exploração dos recursos como monopolisar as terras do sud do mundo, não está longe da analises feita pelo escritor Eduardo Galeano no seu livro de 1971 de título: "As veias abertas da América Latina".
Na realidade tem transcurrido quarenta e mais anos da escrita neste livro e a conclusão que se chega é que a exploração dos paises pobres pelos paises chamados "ricos" não há terminado, mas pelo contrario tem aumentado, inicialmente respeito o petróleo e as minas, e ainda mais, o que concerne ao uso do solo para a produção do bio-combustível, biomassas, e a construções de imensas digas para o aumento exponencial da energia.
No norte do mundo, o debate político e economico está desgastado há muitos anos sobre a necessidade de manter e incrementar o número de empregados e de dar seguridade e garantisar as empresas o aproveitamento e pelo tanto a capitalização bursátil, é um sistema destinado a colapsar e pode-se notar já os primeiros sinais.
A única solução para se obter um caminho decisivo para um desenvolvimento sustentável humano, espiritual e social, é voltar gradativamente ao mundo rural e o respeito a nossa Terra, responsabilizando-nos do futuro seguro, produzindo energia solar e outros meios renováveis, alimentos por meio da agricultura e gado não massificado, distribuindo num mercado por meios modernos prácticos como internet, a eventuais compradores por excessos de produção. 
As mudanças devem começar dentro de cada um de nos. Se continuarmos a participar a desta corrida insensata ao consumismo sem concentrar-nos na redução da chamada “pegada ecológica”, seremos responsáveis do completo desequilibrio do planeta como já o estamos observando, que causará ou esta já causando a sua vez ,conflitos sociais, crises de alimento e hidríco , como também cruentas guerras pelo controle dos recursos em geral.

YURI LEVERATTO 
Copyright 2012