miércoles, 18 de febrero de 2015

O declínio e desaparecimento dos Maya


O continente americano antes da chegada de Cristóvão Colombo era um caldeirão incrível de povos, línguas e culturas.
Algumas dessas civilizações como Astecas, Quimbaya, Muisca, Incas ou Moxos eram bastante prósperas, até a chegada dos conquistadores.
Outras estiveram ali em séculos anteriores e deixaram monumentos poderosos como prova da sua existência e esplendor.
Na América Central havia também vários grupos étnicos que deram origem a algumas civilizações, como, por exemplo, os olmecas e os toltecas.
Mas, a civilização americana que mais tem surpreendido com o resultado de seus feitos, tanto na arquitetura quanto no calendário, na matemática e na astronomia, é a Maya.
Apesar disso, houve uma característica particular desta civilização, algo negativo e que, indiretamente, causou o seu fim: a falta de conhecimento para o arado.
Normalmente, a história da civilização Maya é dividida em três eras.

Período Antigo (até 374 d.C.)

Uma das cidades mais antigas construídas no Período Antigo foi Uaxactun, seguida por El Mirador, Tikal e Naranjo. Outras cidades remanescentes deste período foram Copan e Piedras Negras.

Período Médio (374-472 d.C.)

No Período Médio foram fundadas as cidades de Palenque, Menche e Quirigua.

Período Recente (472-610 d.C.)

Durante o Período Recente foram construídas as cidades de Ixkun, Flores e Benque Viejo Seibal.
Olhando cuidadosamente o mapa, vemos que as cidades de fundação mais recente estão localizadas dentro de uma área delimitada pelos edifícios mais antigos.
Mas, o que tudo isso significa? Mostra que a civilização Maya se desenvolveu não para fora, mas para dentro de seu território.
Este enigma da arqueologia, longe de ser resolvido, indica que uma das civilizações mais sofisticadas das Américas, usualmente, deixava uma cidade para fundar outra, sempre reproduzindo a arquitetura e o simbolismo, cada vez mais em direção ao centro do seu território.
Como estas cidades foram organizadas?
Geralmente havia um abismo entre as classes sociais que eram rigidamente divididas. As castas de nobres e clérigos foram mantidas pelos agricultores que destinavam a estas, dois terços de toda sua safra.
A extrema divisão entre as classes sociais e o isolamento de seus sacerdotes e estudiosos levou esta civilização à decadência. Seus estudiosos conheciam as estrelas e a matemática, além de terem elaborado um sistema complexo de escrita, mas ignoraram os métodos mais básicos para arar e fertilizar os campos.
O sistema utilizado por eles para plantar sementes era rudimentar: após as chuvas, o solo macio era perfurado por estacas pontiagudas e em cada buraco eram depositadas as sementes.
Na ausência de um simples arado (também não havia animais para tração), que permitiria a mistura de fertilizantes, os campos foram se tornando empobrecidos e após as colheitas precisariam de longos períodos para voltar a ser férteis.
É por essa razão que os agricultores estiveram cada vez mais distantes das cidades, adentrando à selva, a fim de obter novos campos que, após queimados, recebiam plantações de milho e outros vegetais.
No entanto, com as sucessivas plantações, o solo se tornou empobrecido, fazendo com que o afastamento dos agricultores despovoasse os municípios, então reduzidos a centros cerimoniais decadentes, onde viviam os nobres e clero. E assim, parece ter sido decidido que todo o território ancestral fosse abandonado.
O novo reino seria construído ao norte, enquanto a terra ancestral Maya foi lentamente ocultada por uma vegetação exuberante, ainda na época das cidades mais recentes.

YURI LEVERATTO
Copyright 2014

Traduzido por Pepe Chaves, Belo Horizonte, Brasil.