miércoles, 29 de octubre de 2014

Expedição ao Rio Alto Madidi



Os objetivos da Expedição ao Alto Madidi foram três. Primeiramente, o reconhecimento, a documentação e o estudo da fortaleza megalítica de Ixiamas, situada na selva alta, a uma altura de aprox. 900 msnm, nos confíns do Parque Nacional do Madidi.
No segundo lugar, a exploração efetiva do Rio Alto Madidi com fins naturalistas, para conhecer o estado de conservação de uns dos últimos paraisos amazónicos, ainda igual como era antes da chegada do homem.
O terceiro objetivo foi antropológico a saber, verificar e de ter a possibilidade de comprovação da existência do mítico povo dos Toromonas ao interior do Parque pelas quais ouve-se rumores desde muitos anos .
Os primeiros três dias da expedição consistiu no reconhecimento da imponente fortaleza megalítica de Ixiamas, situada numa posição dominante, que foi construída por povos pre-incaicos.
No terceiro dia da expedição conseguimos ubica-la em detalhes. Nessa mesma tarde voltamos ao acampamento 2, de onde continuamos ao largo do leito de um riacho, em direção ao Rio Tequeje.
Chegamos ali ás três da tarde e continuamos o caminho pelas suas beiras, vendo-nos obrigados a atravessa-lo varias vezes, com a agua na cintura.
As 5:30 da tarde paramos e preparamos o campo 3.
Já no interior do Parque Nacional Madidi, uma das últimas áreas totalmente virgem do planeta.
O Parque, de uma extenção de quasi 19000 kilómetros quadrados, começa de 5760 msnm até os 180 msnm, razão pela qual consegue ter todos os climas de Sud América. O rio mais importante do Parque é oviamente o Rio Madidi, considerando seu conjunto inicial, tem uma longitude de 595 kilómetros até sua desembocadura no Rio Beni.
Ao quarto dia continuávamos caminhando pelas beiras do Rio Tequeje, sempre acompanhados por assobÍos da ave chamada Aguazil. Durante a caminhada encontramos a dois procuradores de ouro explorando as beiras do rio para encontrar o cobiçado metal amarelo.
Ás cinco da tarde chegamos ao lugar onde o Rio Yuama desemboca no rio Tequeje.
Perto montamos o campo 4. Meus dois guias dedicaram-se de imediato a pesca e em poucos minutos voltaram com dois grandes pescados chamados Ventea, que cozinhamos de treis formas: fritos, fervidos, e assados envoltos em grandes folhas, Ao quinto dia começamos nossa caminhada começando pelo Rio Yuama, e a medida que avançávamos o caminho tornava-se sempre mais apertado e sinuoso. A um determinado momento penetramos na selva seguindo um sendeiro apenas demonstrado: era o caminho indicado para o Alto Madidi. A caminhada começou a complicar-se a causa da espessa vegetação e de insuportáveis mosquitos que penetravam diretamente nos nossos olhos.
Atravessamos muitos afluentes secundários do Yuama, paradisíacos riachos, que com a sua agua fresca e pura nos aliviou a sede várias vezes. Em certo momento paramos para descansar. Justamente por perto tinha restos de carcassa numa armadilha. Meu guia assegurou-me que este animal tinha sido a comida de um jaguar; efetivamente ao redor podia-s e notar as pegadas de um felino. E os ossos? Perguntei. Também os comeu, respondeu. Logo continuamos caminhando, mas avançar era uma tarefa tão difícil, inclusive porque as vezes meu guia perdia o caminho correto, que continuamente me perguntava se não estaríamos andando em círculo.
O calor úmido me sufocava, a sombra me oprimia e a selva estava-me derretendo, cozinhando meu cérebro. Foi então quando chegamos a um lugar situado em plena selva, más a nossa sorte estava do nosso lado, perto divisamos um riacho onde preparamos o campo 5.
Depois da ceia, antes de dormir, ouvimos uma incrível sinfonia de animais selvagens: coaxar de rãs, canto de goriões especie de pardal e outras especies de aves, e para completar um forte assobiar de cigarras.
A noite estava iluminada por enchames por simpáticos vagalumes que nos acompanharam até nos adormecer.
Ao sexto dia começamos a subir até a cordilheira que divide a bacia do Téqueje com aquela do Madidi.
Foram quatro horas de caminhada através de uma selva quasi impenetrável, mesmo assim ao meio dia chegamos a divisória: ao longe percebia-se a amplitude do vale virgem do Rio Madidi, uma vista paradisíaca, depois de tanta fatiga.
Ao principio descemos por um estreito e empinado costão, e caminhamos pelo leito de um torrente seco.
Depois de uns 200 metros, começava a aparecer debaixo das pedras agua fresca e pura. Nos encontrávamos perto das fontes de Iridia, um afluente do Madidi. E assim continuamos durante toda a tarde pelas beiras pedregosas do Iridia, entrando num vale mágico que me lembrava o "mundo perdido" de Conan Doyle. Durante o recorrido comimos uma fruta silvestre chamada pacai, praticamente uma semente rodeada de uma polpa açucarada, envolta numa robusta casca verde.
As cinco horas chegamos a confluência do Iridia com o Rio Alto Madidi, onde organizámos o campo 6.
A primeira vista, o Rio Madidi aparentava um rio lento com algumas tonalidades esverdeadas. Meus guias imadiatamente pescaram uma ruta e um venton, que cocinamos férvidos. Durante todo o sétimo dia continuamos avançando pelas beiras do Rio Alto Madidi. As 12 avistámos um pequeno caimán espécie de jacaré numa praia do rio. Logo submergiu rapidamente impedindo-nos de filma-lo. Foi então quando atravessámos o rio num certo ponto onde a correnteza estava forte e a agua escorria límpida e cristalina.
Naquele momento lembrei de uma frase que falou-me um velho explorador alemão que conheci anos atrás num bar do bairo histórico de Santa Fé de Bogotá, La Candelária :
"Enquanto no bebas agua do Rio Alto Madidi, não poderás dizer que conheces realmente a selva!".
Desse modo cumpri com o rito: parei e bebi aquela agua pura e morna, em memória daquele viajante teutónico.
Pela tarde avistamos muitos pássaros, entre os quais o "martín pescador" e muitos abutres.
Paramos até as seis da tarde, organizando o campo 7.
Meus dois guias pescaram rapidamente duas grandes yatoranas, que cozinhamos numa sopa de arroz, cebola e abóbora.
No amanhecer do oitavo dia retomamos o caminho, já as sete horas da manhã o sol ardente obrigou-nos a beber constantemente agua do Rio Madidi, que a mesma era quente.
Apesar disso as vezes bebíamos agua mais fresca e pura de algum pequeno afluente, calmando a sede e refrescando-nos.
Durante a caminhada observamos alguns macaco aranha e capuchinos que se enroscavam nas ramas de altíssimas árvores.
Nos olhavam de longe como fóssemos extraterrestres e mexiam as ramas como nos quisessem assustar, ou chamar a atenção.
Com o passar das horas, a nossa caminhada fazia-se sempre mais difícil, já que o Rio Alto Madidi tinha recebido agua de vários afluentes e tinha-se alargado. O espaço para caminhar pelas suas orlas era cada vez mais estreito. Em várias oportunidades nos afundávamos no barro até a cintura em outras tivemos que voltar a selva utilizando o machado para poder avançar paralelamente seguindo o rio. Por sorte começou a chuva vagarosamente e o ar ardido refrescava-se um pouco.
As cinco da tarde paramos enquanto continuava chuviscando, más logo depois saiu o sol outra vez, criando magníficos jogos de luzes. Preparamos então o campo 8. Meu guia sugeriu-me que o modo mais eficaz de avançar era provavelmente com a balsa. Nos aliviaria a fadiga de ter que caminhar carregando nossas pesadas mochilas, apesar de que tambem poderia ser perigoso pela possibilidade de cair na agua quando a embarcação percorrece através das tramas onde a correnteza era impetuosa. Então de comum acordo, decidimos iniciar a preparar a balsa pela manhã seguinte.
Logo preparamos a janta, acompanhados por um forte grasnar de papagaios araras e outros.
Durante a noite despertei para urinar e de repente senti um estranho cheiro perto, alarmei-me e voltei a barraca novamente.
Minutos depois aquele barulho parou e logo adormeci.
Pela manhã seguinte, ao redor do nosso acampamento tinha numerosas pegadas de jaguar. Apavorei-me pensando que o felino estava a poucos metros de mim de noite e que seguramente me espiava.
Durante a manhã do nono dia, preparamos a balsa. Unimos seis grossos troncos com juncos e logo, as onze começamos a navegar. O clima tinha mudado em respeito aos dias anteriores: o céu estava cinza e caía um tênue chuvisco insistente.
Desde o começo da navegação percebi que não seria fácil avançar com a balsa.
A correnteza era muito débil e em alguns trechos a balsa se encalhava entre as pedras do rio tinhamos que baixar e reubica-las criando um corredor navegável, de ao menos 40 centímetros de profundidade, que nos permitiria avançar.
Era um trabalho agotador. Durante a navegação tudo era um escapulir de peixes: surubi, pintado, yatorana, pacu, robalo e outros. Este rio está realmente repleto de peixes, que alí pela total ausência de pescadores tenham conseguido se reproduzir sem problemas. Durante uma parada consegui filmar uma arraia num espelho de agua tranquilo. É um peixe peligroso pelo fato de que pode golpear com seu potente agulhão.
Ademais, vimos muitos gansos pretos que esvoaçavam na selva assustados pelo nosso passo, e uma grande galinha silvestre de cor preta com um vistoso bico amarelo.
Num certo momento chegamos a confluência do Rio Agua Clara (Yurirari em idioma tacana), com o Rio Alto Madidi.
Decidi amarrar a balsa e segui a pé subindo o Agua Clara durante mais o menos uma hora, com o propósito de encontrar algumas pegadas humanas de indígenas ilhados, os legendários Toromonas. Caminhamos pelas orlas do Rio Agua Clara durante duas horas, explorando alguns dos seus afluentes e logo regressamos até o Rio AIto Madidi. Não vimos nenhuma pegada humana, e isto faz pensar que si é certo que os Toromonas vivem ainda, devem ubicar-se provavelmente nas fontes do Rio Agua Clara ou mais longe da divisória, nas cabeceiras do Rio Colorado que desemboca na cuenca do Rio Tambopata.
Logo retomamos a navegação e depois de poucos minutos avistámos outros macacos aranha na parte más alta de frondosas árvores. Pensamos parar entre as três da tarde e preparamos o campo 9 numa grande praia. Pela manã seguinte fui acordado pelo meu guia mostrando-me um paquiderme que estava na beira do rio. Não consegui filma-lo, más de longe pudemos reparar sua corpulente forma.
Logo o sol apareceu sufocante e nos acompanhou durante todo o dia.
No transcurso da jornada consegui um jacaré e algumas capivaras que se esvoaçavam na selva assustados pelo nosso passo.
A continuação paramos para comer um pescado que meu guia tinha capturado na noite anterior. Era um pintado cozido em folhas com sal e limão e estava realmente especial. Pela tarde notamos tantos peixes: bagre, tuyuno, sierra, yatorana, e uma grande tortuga do rio que parecia desejar compartir com a nossa balsa.
No fim da jornada, completamente exaustos paramos pra preparar o campo 10, onde dormimos.
No amanhecer do décimo primeiro dia retomamos a lenta navegação. Peça manhã observamos algumas lontras que consegui filmar . Ao meio dia paramos para almoçar debaixo de uma grande frondosa árvore, mesmo assim o calor angustiante e a ausência total de vento nos sufocava. Pela tarde continuamos navegando no rio, perguntando-nos se teria fim.
Olhando o meu GPS, nos encontrávamos aproximadamente um dia de navegação do posto de controle do parque Nacional Madidi, de onde se bifurca um senderio na selva em direção da comunidade de camponeses chamados El Tigre.
Pela noite cansados e famintos preparamos o campo 11 numa enorme praia onde dormimos.
Pela tarde no duo décimo dia chegamos ao posto de controle do Parque Madidi encontrando-o abandonado.
Nas próximidades tinha grandes pinhas agrias, ainda verdes, mesmo assim nos com sede cairam muito bem, acalmando nossa sede. Depois de ter preparado o campo 12 caímos num profundo sono.
Ao décimo terceiro dia caminhamos aprox. 20 kilómetros através uma densa selva más com sendeiro.
A uma certa altura tropeçamos com um imenso formigueiro. Tinha miles de milhões de insetos de todos os tamanhos.
Também tinha temíveis formigas de até 3 centímetros de comprimento dotadas de uma grande mandíbula, que uma sua picadura pode provocar uma grande dor. Não tinhamos modo de contornar este enorme formigueiro, pela qual tivemos que correr para evitar que nos invadissem.
Durante o caminho fotografei alguns papagaios da especie (ara macao) e também grandes tortugas da terra. Logo nos encontramos uma enorme teia de aranha. Pudímos observar muitas aranhinhas, mas também um imenso aracnidio.
Meu guia contou-me que a mãe dele tece a teia para seus pequenos e logo abandona e va a procura de outro lugar para reproduzir novamente. Ao meio dia chegamos a um riacho onde se encontrava uma família de indígenas Chimanes, os adultos estavam cozinhando pescado em grandes folhas, enquanto as crianças comiam a fruta pacai.
Continuamos atravez a selva durante toda a tarde.
As 3 da tarde o céu obscureceu e nuvens ameaçadoras se adensavam no horizonte. Começou a trovejar e a ventar forte, más extranhamente não chovia. Durante a caminhada vi algumas pecuarías, e alguns outros mamíferos.
Quando perto das cinco, nos paramos para organizar o campo 13, continuava trovejando forte más sem chover.
Somente as 7 da noite a agua caiu com uma intensidade cada vez maior. As 8 o dilúvio incessante o temporal colocou a dura prova nossas barracas, e o perigo maior foram os raios que descarregavam eletricidade a poucos metros do nosso campamento. Seguiu chovendo toda a noite, e também o nosso úmido despertar do céu cinzentado, continuavam caindo insistentemente, grandes gotas de agua fria. O clima tinha mudado completamente em respeito aos torrados dias do Madidi.
Agora o termómetro indicava 15 grãos e inclusive o vento fresco soprava do norte.
O décimo quarto dia o passamos caminhando num sendeiro barroso e viscoso, até chegar a comunidade de camponeses chamados o Tigre. São pessoas originarias de Potosí, pela qual estabelecer-se nesta remota parte da selva, com o fim de lavrar a terra. Preparamos o campo 14 na beira do riacho, a umas 3 horas do caminho más longe do Tigre.
O dia seguinte, décimo quarto dia da nossa expedição, conhecemos alguns bolivianos que estavam fazendo censo das árvores que se derrubariam proximamente. Um fato inesperado foi justamente fora do Parque, as empresas para o corte de madeira apreciada exercem com tranquilidade e somente o status de “inatingíveis” do Parque conseguiu deter o corte por agora. Com um daqueles jovens segui de moto até o povinho de Ixiamas, enquanto meus dois guias me alcançaram depois de algumas horas montados, por cima de um caminhão destinado ao transporte de madeira.
As 3 da tarde nos reencontrámos no caloroso povo de Ixiamas, de onde numa van, de transporte público, chegamos novamente a Rurrenabaque, em 4 horas de viagem.
Os resultados da expedição foram vários :
Primeiro de tudo, o reconhecimento e a descrição da misteriosa Fortaleza de Ixiamas.
Segundo lugar, o avistamento de várias especies de animais no interior do Parque, prova principal que seu estado de conservação é excelente.
Não pude verificar a existência dos lendários Toromonas, que provavelmente vivem em zonas ainda mais remotas do Parque, nas cabeceiras de alguns afluentes do Rio Alto Madidi ou do Rio Colorado.

YURI LEVERATTO
Copyright 2011

martes, 28 de octubre de 2014

A fortaleza megalítica de Ixiamas



Foram muitos os objetivos da expedição ao Alto Rio Madidi.
Primeiramente a documentação fotográfica, reconhecimento e estudo da fortaleza de Ixiamas, uma estrutura pre-inca imponente, situada no departamento de La Paz.
Em segundo lugar, a verificação real, para fins naturalistas, do Rio Alto Madidi, localizado no Parque Nacional Madidi, na floresta tropical da Amazônia boliviana. Eu queria conhecer pessoalmente as condições encontradas no parque e os animais que nela habitam.
O terceiro objetivo da expedição ao Alto Rio Madidi era de interesse antropológico: estava interessado em verificar a existência dos míticos Toromonas, um grupo étnico que supostamente vivem na parte mais interna do parque, completamente isolado do resto da população boliviana.
Quando cheguei à Rurrenabaque, agradável cidade localizada às margens do Rio Beni, entrei em contato com meus guias especializados e Felix Quajera y José Tirina. Nos dias seguintes organizamos à expedição e o planejamento de como chegar a áreas de floresta primária extremamente remota onde nenhum ocidental nunca pôs pé.
Partimos da aldeia de San Buenaventura, localizado na margem oposta do rio Beni, e no departamento de La Paz. Em uma perua cheia de passageiros, chegamos depois de quatro horas nas ruas de terra batida, ao rio Tequeje (um afluente do Beni). Era noite e, portanto, preparamos o campo 1 embaixo da ponte que o atravessa.
No segundo dia, começamos a caminhar para a fortaleza de Ixiamas. Tivemos informações fragmentárias sobre a sua localização, pois algumas pessoas de Rurrenabaque tinham-nos dito ter a certeza de que este estava no topo da montanha, ao lado do rioTequeje, em posição dominante, mas, na realidade, nem os meus guias nem eu sabíamos exatamente onde ficava.
Começamos a subida através de florestas úmidas e intrincadas, mas já depois de meia hora, percebemos que não havia trilha e a vegetação era um grande obstáculo para o nosso progresso.
Em qualquer caso, continuamos ascendendo pelo morro por cerca de três horas, avançando muito devagar e usando o facão a cada passo. Nós continuamos a subir a montanha, embora que andávamos com as mochilas pesadas (cerca de 15 kg cada uma, uma vez que nos tínhamos provisionados para 15 dias) foi muito difícil, não só por causa do peso intrínseco, mas, acima de tudo, pelo fato de que as nossas mochilas tropeçavam em galhos de árvores e videiras, prejudicando significativamente nossa caminhada.
Em algum ponto, sendo às duas da tarde, e com o sol queimando a fadiga estava a nos testar, decidimos deixar as mochilas em um lugar seguro e continuar a exploração mais leves.
Quando estávamos em uma altura de aproximadamente 600 metros e na frente de nós dois picos. A fortaleza tinha de ficar necessariamente em um das duas "cúpulas", mas não sabíamos qual.
Passamos então a explorar a primeira, mas a total falta de trilha que tinha dúvidas sobre a real possibilidade de localizar o forte.
Nós estávamos com sede. Tínhamos partido com apenas uma garrafa de água e não tínhamos encontrado nenhum riacho no nosso caminho. Já eram às quatro da tarde e, portanto, relutantemente decidimos que tínhamos de voltar por as mochilas, a fim de encontrar um riacho para o acampamento.
E nós fizemos assim. Do ponto em que deixamos as malas houve uma alcantiladíssima inclinação em cujo fundo talvez houvesse um córrego. Talvez.
No entanto, se você ouvir atentamente, você pode ouvir um tumulto muito distante, talvez fosse água.
E assim, novamente com bagagem pesada em cima começamos a descida em cerca de 30 minutos chegamos a um riacho onde a água fluía limpa e fresca.
Pudemos organizar o acampamento 2 bem perto do torrente, em um lugar mágico, prometendo voltar para o topo da montanha na manhã seguinte.
Depois de recuperar energia, e envoltos na escuridão da noite, estávamos imersos em uma sinfonia incrível de animais de todos os tipos. Primeiro de tudo, o assobiar do pássaro chamado xerife (Lipaugus vociferans), e outros tantos pássaros cantando, sapos coaxando também e os gritos distantes de macacos bugios, mas, acima de tudo, foram os insetos protagonistas inigualáveis na nossa noite: milhares de mosquitos, abelhas e vaga-lumes.
Antes de ir para a cama, eu fui até o riacho para beber. Mas onde eu estava bebendo, eu tinha a lanterna e iluminou uma aranha negra grande e peluda, cujo corpo era tão grande como um punho de uma mão. Fiquei petrificado, mas eu mantive a calma, movendo-me lentamente, voltei para a tenda, perto 5 metros do córrego, de pé novamente.
Um sussurro alto acompanhou-nos quando estávamos a dormir na barriga da mata.
A partir das sete da manhã, começamos a andar sem o peso das mochilas, e subimos a montanha indo direto ao topo que não tínhamos explorado no dia anterior.
Em cerca de duas horas de caminhada, chegamos à entrada da fortaleza, e de imediato, notei as características desta construção imponente megalítica: é uma área de cerca de dois hectares, rodeada por uma grande muralha de cerca de 200 metros de comprimento total, e, por vezes, elevada uns 3 metros. Dentro, há outros muros mais baixos que foram provavelmente construídos como aterros.

Localização da Fortaleza de Ixiamas
Lat. 13 graus 53 'Sul 621 - Long. 68 graus 09 '51 Oeste
Altura: 903 Metros s.n.d.m.

O edifício está localizado exatamente no topo da montanha, em uma posição dominante nas vastas planícies amazônicas. O lugar chamado mirador (vigia) de onde você pode ver ao longe a cidade de Ixiamas, pradaria a esquerda de Rio Tequeje.
Por quem foi construída? E acima de tudo, por quê?
Em minha opinião, a fortaleza de Ixiamas foi construída por um povo desconhecido pré-inca que dominava a zona de floresta alta imediatamente adjacente à planície amazônica. O fato de que a parede defensiva é tão grossa e alta sugere que pessoas desconhecidas estavam em guerra com os povos das terras baixas da Amazônia.
Sobre se o forte foi usado pelos incas em períodos sucessivos, são opiniões diferentes: a minha é que os Incas utilizaram talvez, mas não para fins militares, como é bem sabido que a manutenção de boas relações com Moxos, talvez o verdadeiro soberano do lendário reino de Paititi, talvez foi usado pelos incas como o armazenamento de lugar agrícola e intercâmbio com os povos da floresta. No entanto, como chegavam até lá? É evidente que deve ter um caminho desde algum lugar que servia de acesso a fortaleza, mas anos de negligência, provavelmente esconderam-no quase completamente.
Depois de cozinhar um prato de arroz e feijão, no lugar chamado de "vigia", voltamos para o acampamento 2, onde continuamos ao longo do riacho, tentando chegar às margens do rio Tequeje, e para continuar a nossa expedição ao Rio Alto Madidi.

YURI LEVERATTO
Copyright 2011