martes, 24 de junio de 2014

A origem dos Yanomami


Os Ianomâmis são um povo indígena da América do Sul com cerca de 27.000 pessoas. 
Eles vivem na fronteira Brasil-Venezuela, perto da Serra Parima, onde nascem os rios que mais tarde acabam no rio Negro, na bacia do Rio Amazonas e no Orinoco, na Venezuela.
Os Ianomâmis que vivem no território brasileiro são cerca de 7000. Eles foram distribuídos em uma enorme região de cerca de 94.000 quilômetros quadrados. O último dado é estranho: como é possível que 7 mil pessoas, que são mesmo sedentários, precisem de um território tão grande como a totalidade de Portugal?
Os Ianomâmis vivem em aldeias de forma oval chamadas shabono, cujo telhado é comum. Eles praticam uma agricultura de subsistência, baseada principalmente nas culturas de mandioca e banana, além da caça, pesca e colheita de frutas silvestres.
A dieta dos Ianomâmis é particularmente pobre em sal e a sua pressão arterial é muito baixa. Por esta razão, foram submetidos a exames médicos para tentar entender se há uma relação entre a hipertensão e o consumo excessivo de sal.
Alguns praticam endocanibalismo ou hábito de comer os restos cremados de seus entes queridos. A cerimônia de cremação do falecido é muito complexa, mas o objetivo final é o de libertar a alma do corpo para que possa viver uma vida espiritual calma eternamente. Depois de queimar o corpo, os ossos são triturados e depois se faz o endocanibalismo, ou a ingestão das cinzas dos ossos de parentes falecidos. Além disso, todos os objetos pessoais do morto são queimados, porque se acredita que podem esconder alguns espíritos malignos.
Segundo alguns linguistas, a língua do grupo Ianomâmi faz parte do Macro-jê, mas de acordo com outros estudiosos, é uma linguagem completamente diferente, que inclui outros quatro dialetos (Ianomans, Sanum, Ianan e Ianomamo).
O fato de que a língua dos Ianomâmis tenha sido considerada por muito tempo como um idioma isolado, levou alguns antropólogos a definirem os Ianomâmis como uma raça pura, descendentes diretos dos asiáticos que chegaram ao continente americano pelo estreito de Bering há 14 milênios.
Em minha opinião, esta tese está errada, tanto porque os Ianomâmis historicamente invadiram as terras dos Macu (chamados também Borowa) e se misturaram com mulheres pertencentes a diferentes tribos, como também porque alguns deles têm os olhos verdes e a pele clara, típicos traços caucásicos e, por conseguinte, resultados de cruzamentos com os europeus, muito provavelmente espanhóis que buscavam a mítica cidade de Manoa (ou Eldorado), a partir de 1540, ou com outros caucásicos que chegaram ocasionalmente a América.
Se se observa com atenção os rostos dos Ianomâmis se nota, portanto, que sua origem é misturada: principalmente asiático, mas também negróide e caucásico, como comprovam a forma do nariz e os olhos verdes de algumas pessoas.
Nos últimos anos houve várias disputas e controvérsias a respeito dos indígenas Ianomâmis. Em particular, em 2000, os cientistas Napoleão Chagnon e James Néel tomaram mostras de sangue de alguns indígenas e as enviaram ao exterior sem lhes informar que se manteriam por tempo indefinido naqueles laboratórios. Tal prática, contrária às crenças Ianomâmis, que consideram tabu a conservação de sangue ou partes do corpo de um defunto, foi denunciada e se pediu a devolução do sangue obtido, mas até hoje não foi feito nada para tentar solucionar o ocorrido.
Os dois cientistas foram acusados também de haverem introduzido vírus e bactérias (inconscientemente) nas terras Ianomâmis e de haverem indiretamente facilitado a entrada de garimpeiros (buscadores de ouro) na zona.
A entrada de aproximadamente 40.000 garimpeiros a partir de 1990 no território indígena Ianomâmi é um problema sério. Com efeito, os buscadores de ouro são violentos e determinados em seu objetivo, sem se preocupar com o ambiente e sem respeitar a vida dos indígenas.
Outros opinam, ao contrário, que as demarcações de imensas áreas indígenas (muito maiores do que uma pequena população autóctone possa necessitar) são muito estranhas.
Não só a área indígena Ianomâmi, senão também outras áreas indígenas amazônicas, desproporcionais em relação à escassa população de nativos, fechadas a qualquer jornalista ou investigador externo, seriam, desta maneira, zonas controladas não pelo governo federal, mas sim por organizações externas que poderiam efetuar pesquisas de todo tipo (mineiras, biodiversas, de exploração hídrica), sempre com a dócil aprovação de indígenas ingênuos e facilmente corruptíveis.

YURI LEVERATTO
Copyright 2010

miércoles, 18 de junio de 2014

Os Mayoruna da “terra indígena vale do Yavarí”


Minha experiência com os indígenas mayoruna do Brasil comessou com o povo Atalaya do Norte, na beira do rio Yavarí.
Dias depois ter penetrado na selva estabeleci contato com uma família de marubos, da qual o chefe me acolheu na sua comunidade ilustrando-me seu modo de viver e suas tradições.
A terra indígena Valle del Rio Yavarí se extende na Amazónia brasileira, perto da fronteira entre o Brasil e o Perú que estão justamente delimitadas pelo curso de onde vivem várias tribus indígenas, algumas delas ilhadas.
Com a terminação mayoruna (do quechua: mayo, rio: runa, gente) denomina-se a um conjunto de povos que vivem tanto na terra indígena Vale do Yavarí (Brasil) como nos rios Yavarí, Gálvez e Yaquerana, no território peruano.
Estes povos são marubos, matis, matsés, Kulinapano, Korubo, Kanapari, Tsohom dyapa, além de outros grupos de indígenas não contactados. No total ao redor de 3800 pessoas vivem na terra indígena Vale do Yavarí no Brasil.
A maioria delas falam idiomas pertencentes ao grupo pano.
A história dos indígenas mayoruna está marcada pelos contínuos conflitos com os não indígenas: o primeiro tempo depois da conquista espanhola caracterizou-se pela entrada das missões jesuitas (1653-1769); até o fim de seculo XIX penetrou o capitalismo na Amazonia com a exploração da borracha (1880-1914); logo depois da Segunda Guerra mundial comessou o tráfico da valiosa lenha, hoje ainda em curso; depois de 1970 comessou a se projetar empresas petrolíferas de empresas nacionais e estrangeiras que põem em risco a a integridade do ambiente e dos próprios indígenas.
Ainda hoje muitos mayoruna vivem em malocas (ver foto a direita), grandes cabanas tradicionais comummente retangulares, levantadas por quatro estacas que representam o eixo do mundo, mas não faltam as malocas de forma circular.
No geral estas casas ancestrais tem o acesso orientado na direção dos cursos de agua mais perto.
A ubicação dos membros da família não e casual. O chefe e seu irmão dormem respectivamente a esquerda e a direita do portal principal. O xamã e a esposa do chefe dormen, no entanto, à esquerda e a direita do portal secundario.
A maloca e o núcleo do universo para os mayoruna a noite transforma-se num centro de conhecimento.
Uma fogueira constantemente acesa, onde se preparam os alimentos representa o "estômago", o ponto onde transforma-se a energia e, pelo tanto a força. E importante lembrar que quando morre um dos seus construtores, a maloca deve ser queimada.
Atualmente os mayoruna vivem num estado aparente de tranquilidade, que apesar disso se esconde alguma armadilha.
O fato que os mayoruna da terra indígena Vale do Yavarí recebem um subsidio do estado brasileiro é, ao meu modo de ver, alguma coisa negativa: são manipulados, não podem caçar animais da selva como o faziam no século passado e o "salário" que se lhes da os há transformado em seres dóceis facilmente corruptíveis da qual não são completamente donos do seu destino.
Faz uns poucos meses se soube que a empresa petrolífera Pacific Stratus (100% propriedade da Pacific Rubiales), tentou iniciar actividades de exploração do petróleo na bacia dos rios Galvez e Yaquerana pertencentes a Peru.
Neste caso os mayoruna brasilerios objetaram que a eventual contaminação do Rio Yaquerana causaria um dano gravíssimo a terra brasileira, e com todo a razão.
Pelo momento a empresa Pacific Stratus ainda não comessou a exploração da área, más poderia apresentar outro projeto no futuro próximo. Em respeito a uma possível ameaça direta para a terra indígena do Vale de Yavarí no (Brasil), a partir de 2007 a Agência Nacional do petróleo (ANP) comessou procurar tanto na bacia do Rio Juruá como no sul da terra indígena Vale do Yavarí, onde a empresa Georadar já terminó trabalhos de exploração de alguns poços petrolíferos sem ter em conta a opinião dos chefes indígenas mayoruna, da qual consideram que estes trabalhos podiam contaminar os rios Itaquaí e Yaquerana; este último e a parte alta do mesmo Yavarí.
Como podemos notar a delimitação de estas enormes terras indígenas não são suficientes para proteger os nativos que vivem nelas. Precisamente a enorme extenção de estas áreas faz delas um grande e dificil modo de como protegelas.
Por outro lado, o fato de que os indígenas que nelas moram estem acostumados desde muito tempo ao comercio dos recursos presentes no seu território como a valiosa "madeira" mas tambem pedras preciosas e ouro, faz deles corruptiveis e favorecedores a entrada de entidades externas ao territorio, coisa que não e fácil controlar.

YURI LEVERATTO 
Copyright 2014

Traduçaõ: Anna Baraldi Holst, Itapema - Santa Catarina BRASIL