miércoles, 16 de abril de 2014

Biopirataria: a última ameaça para a floresta tropical


A Amazônia é o lugar com a maior biodiversidade do planeta.
Quanto ao reino vegetal, em um hectare de bosque amazônico há em média 400 espécies diferentes de árvores e plantas, algumas sem serem estudadas a fundo ainda. Com um quinto de todas as espécies de pássaros da Terra, duas mil espécies de mamíferos e duas mil de peixes, ademais de dois milhões e meio de espécies de invertebrados, o bosque pluvial tropical sul-americano é considerado como o lugar biodiverso mais precioso do mundo.
Lamentavelmente esta enorme riqueza, que pertence aos estados que têm parte de seu território no Amazonas (Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador e Venezuela) está em grave perigo.
Nos últimos anos cresceu exponencialmente uma nova ameaça: a biopirataria.
Por biopirataria se entende o acesso ilegal ou irregular a recursos biológicos e genéticos com o fim de explorá-los economicamente. Na maioria dos casos, os biopiratas do século XXI são científicos sem escrúpulos que se introduzem nos territórios indígenas do Amazonas, ganham a confiança dos nativos, frequentemente dando somas de dinheiro, logrando, deste modo, apoderar-se de segredos milenares, como, por exemplo, o uso de plantas medicinais ou o uso de substâncias contidas no organismo de alguns animais (rãs, insetos) para fins terapêuticos. Apenas regressam a seus países, os biopiratas registram o uso da substância por eles estudada e obtêm uma patente internacional, sem a licença do estado de onde subtraíram o princípio ativo. Estima-se que os ganhos derivados da biopirataria têm gerado 4.5 bilhões de dólares anuais a multinacionais do norte do mundo, que atuaram sem as necessárias autorizações dos governos da América do Sul.
Os danos dos biopiratas são muitos: primeiro que tudo, exploram de maneira desconsiderada o patrimônio vegetal e animal amazônico sem nenhuma regra ou procedimento científico. Se não se freia este desastre, 20% das espécies animais endêmicas amazônicas desaparecerão nos próximos vinte anos.
Além do mais se retiram vilmente recursos importantes de países em via de desenvolvimento, que poderiam ser utilizados para melhorar as condições de vida da população e para criar uma maior consciência ambiental.
Ademais, os biopiratas, com sua presença não autorizada nos territórios indígenas, causam enormes choques culturais e sociais e às vezes difundem enfermidades mortais entre os nativos que não têm suficientes anticorpos para combater vírus e bactérias típicas do mundo ocidental. Os biopiratas privatizam os conhecimentos autóctones, que deveriam ser utilizados pelos governos gratuitamente, para beneficiar o mais possível os estratos da população com menor acesso aos serviços básicos.
Desde o ponto de vista do direito internacional, os países da área amazônica assinaram um acordo chamado “Tratado das Nações Unidas sobre a diversidade biológica”, que data de 1992. Neste convênio se declarou a soberania de cada estado sobre os recursos naturais, biológicos e genéticos que se encontram no interior de seu território e o direito de obter uma justa compensação no caso de que seja concedido o uso de ditos recursos a entidades ou empresas não estatais.
Aqui estão alguns dos exemplos mais conhecidos da biopirataria:
O cupuaçu, uma fruta tradicional amazônica rica em vitaminas, cujo princípio ativo foi registrado com um nome parecido, é utilizado para a produção de chocolate por uma reconhecida multinacional.
Outro caso famoso é a patente da epibatidina, um alcalóide contido na pele de uma rã endêmica do Amazonas equatoriano (epipedobatesanthonil). Esta substância é eficaz contra o tratamento da dor (é 200 vezes mais potente que a morfina). Aproximadamente 750 rãs desta espécie foram transportadas ilegalmente para fora do Equador. O princípio ativo da pele do anfíbio foi registrado na América do Norte e é utilizado por várias empresas que trabalham no setor farmacêutico.
O princípio ativo da Carapa Guianensis Aubl (chamada Andiroba), utilizada por nativos amazônicos contra a febre e como repelente contra os insetos, foi registrado na Europa e América do Norte para a produção de cosméticos e medicamentos.
Do ocotearodile (bibiri) se extrai uma substância ativa que foi registrada por uma empresa europeia e que se utiliza na luta contra enfermidades mortais.
As essências contidas na planta conhecida com o nome de Unha de Gato (Uncaria tormentosa) foram registradas por uma reconhecida multinacional, depois de haverem sido subtraídas de indígenas Ashaninka da selva amazônica peruana.
O veneno contido nas glândulas do réptil Bothrops Jararaca pode servir como potente medicamento contra a hipertensão: uma empresa europeia registrou o princípio ativo e começou a comercializar o produto. Hoje este medicamento é vendido em todo o mundo com enormes lucros.
A lista dos abusos poderia continuar. Como frear este desastre? Fizeram-se várias propostas, mas até agora nenhuma foi eficaz.
Poderia resultar útil uma marca internacional, que possa identificar rapidamente os produtos obtidos com a autorização dos governos da América do Sul, de maneira que o consumidor saiba distinguir entre um produto autorizado e um produto pirata.

YURI LEVERATTO
2008 Copyright

martes, 8 de abril de 2014

Os petroglifos dos Montes de Maria, herança dos Zenúes


Na costa Caribe colombiana, más precisamente nos Montes de Maria, tem alguns sítios arqueológicos completamente desconhecidos, mas muito importantes para o estudo profundo dos primeiros habitantes da zona, dos quais desenvolveram a assombrosa cultura dos Zenúes.
Já algumas análises arqueológicas efetuadas no século passado em Puerto Hormiga tinham testemunhado que alguns grupos de nativos tinham-se estabelecido ao redor de 3000 a.C., tempo pela qual remonta alguns pedaços de cerâmica. 
Para chegar aos petroglifos dos Montes de Maria, uma zona que lamentavelmente foi cenário de enfrentamentos armados nos anos passados e que somente a pouco tempo foi apaziguada, temos que recorrer estritas passagens e penetrar na espessa selva tropical que tempos passados provavelmente estendia-se em grande parte da costa Caribe pode-se observar três petróglifos principais.
O primeiro, situado num afluente da quebrada Rastro, faz notar alguns rastros, provavelmente de caciques ou chefes espirituais e políticos do tempo. 
No segundo e terceiro, mas importantes, que encontra-se também na quebrada Rastro, más muito mais rio abaixo, no município de San Juan Nepomuceno, nota-se as imagens de 4 rostos pertencentes possivelmente a 4 chefes espirituais da época dos Zenúes. Na parte superior de um dos rostos, nota-se outros 2 semblantes que, na minha opinião, ilustram aos antepassados da pessoa representada.
Acredita-se que a cultura Zenú começou a se desenvolver ao redor do segundo século antes de Cristo.
Eles eram expertos na irrigação e na agricultura que de fato construiram canais que permitiam transportar a agua até os campos mais longe das quebradas, tanto assim que muitos deles ainda hoje se utilizam.
Na opinião de alguns linguistas, o povo dos Zenúes tinha origem amazónico que falavam uma lengua do grupo Caribe.
Mas ninguém no departamento de Cordoba falam mais esta lengua e pela mesma razão é muito difícil estabelecer com certeza a verdadeira origem dos povos Zenúes.
Apesar disso sabe-se que eram artesãos espertos que fabricavam maravilhosas cerâmicas e espléndidos tecidos de algodão que faziam intercâmbios com os povos vizinhos.
A chegada do terrível conquistador Pedro de Heredia , o povo dos Zenúes dividia-se em três reinos: Pancenú, Fincenú e Cenofana. Tinha três centros principais: Mexin, Yapel e Fincenú. Este último era o lugar religioso mais importante, onde se enterrava aos caciques. As tumbas se enfeitavam com ouro e pedras preciosas, pelas quais os Zenúes não davam valor intínceco, más , mais espiritual, relacionando com a divinidade principal, o Sol.
Nas tumbas colocava-se joias de ouro magnificamente elaboradas, junto com armas e tecidos com a finalidade de acompanhar o defunto a sua última viagem.
Lamentavelmente como já tinha mencionado, esta cultura foi aniquilada pelo cruel Pedro de Heredia, quem não somente saqueou vergonhosamente as tumbas Zenúes para apoderar-se do ouro sepultado, más também torturou e matou vilmente muitíssimos nativos para que lhes dicesse onde estava escondido mais ouro.
Ao conquistador Pedro de Heredia guarda-se memória com uma estátua na cidade de Cartagena de Indias, mas pouco fala-se da sua verdadeira e cruel natureza de genocida de um povo pacífico e tranquilo como os Zenú.
Atualmente descobriu-se estes importantes petroglifos, herança da cultura Zenú nos Montes de Maria.
Espera-se que as autoridades locais organizem visitas, os sítios arqueológicos, para evitar prejudiciais e vandalismos que deformariam e estragariam para sempre os vestigios de antigas culturas pelas quais deve-se manter respeito, valoriza-los e estuda-los.

YURI LEVERATTO
Copyright 2009